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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Maratona em Hamburgo

O ser humano é fantástico, principalmente quando se predispõe a fazer coisas extraordinárias.

Uma maratona são 42 km. Na maratona de Hamburgo deste ano houve quem os corresse em 2h11m e quem os corresse em 6h35m



Não é apenas uma competição. É uma festa onde, atletas profissionais e os apaixonados pela corrida, se juntam por um desafio comum: correr uma maratona. Claro que cada um define os seus objectivos num desafio deste tipo: ser o primeiro ou chegar à meta ou acabar em menos de 3h30m ou, até mesmo, não ser o último :) E desengane-se quem pensa que é apenas para gente jovem. É sim, "para quem pode" (quem está preparado fisicamente!): jovens, velhos (até um senhor de 80 anos participou este ano!), homens, mulheres, deficientes motores.

Mesmo não se conhecendo os atletas, quem faz parte do público, sente uma certa obrigação e felicidade (!) em aplaudir os que correm. O público aplaude (e chama pelos nomes que vêem escritos nas camisolas dos atletas) por respeito, por admiração. Admiração por todos aqueles que tiveram coragem de se submeterem ao desafio. E vê-los chegar à meta, é muito bom!

Palavras para quê? Aqui ficam algumas imagens:










P.s.: Obrigada R., por partilhares a tua vida comigo.

quinta-feira, 11 de março de 2010

E assim vai o mundo II


A N. é colombiana. Um amor de "cachopa" como se diz na terra do meu pai.
No outro dia contou-me que tinha um encontro marcado com um rapaz alemão por quem achava que estava a começar a gostar a sério.
Passados uns dias perguntei-lhe como tinha corrido o encontro, ao que ela me respondeu "correu bem!".

Eu: - "Então e já são namorados a sério?"

N.: - "Isso ainda não sei..."

Eu: - "Então, porquê?"

N.: - "Ele ainda não me perguntou!"

Eu: - "Hmm... Olha que eu acho que nem vai perguntar. Isso, por aqui já não se usa."

N.: - "Mas na Colômbia, o rapaz tem de perguntar! Só assim é que realmente a rapariga sabe que são namorados!"

Eu: - "Mas aqui é diferente. Ele não sabe como é na Colômbia! Porque não lhe contas, assim, para lhe dar a dica..."

N.: - "EU?! Ele é que tem de saber! Eu não lhe vou explicar nada... E aliás, se ele não me perguntar, eu continuarei "oficialmente" sem namorado. Poderei fazer o que me der na gana com quem eu quiser, entendes?"

Eu, para os meus botões, "Isto é que está aqui uma açorda..."

Imagem daqui.

Möchten Sie einen Kaffee?


Eu não me posso queixar da empresa para a qual trabalho. Hoje trabalho em casa porque o técnico da máquina de lavar roupa que está estragada ficou de aparecer entre as 10h e as 14h. Ora, este horário "mata" logo qualquer dia de trabalho... Assim, pedi ao meu chefe para trabalhar em casa (bendita internet!). Ao que respondeu que sim. Ok, um problema estaria resolvido: não terei de tirar um dia de férias por causa disto.

Viria o segundo problema: o R. foi até NY a trabalho durante esta semana. O R. é quem costuma lidar com este tipo de situações já que fala bem melhor que eu alemão " 'Tou tramada, agora... Aparece-me aí um técnico alemão, desata a metralhar sobre isto e aquilo da máquina, e eu vou abanar a cabeça para cima e para baixo, assino um papel qualquer onde confirmo que cá esteve, vai-se embora e sei lá eu o que acabei de assinar...".

Chega o senhor. Dirige-se à máquina de lavar roupa. Pergunto se quer um café. Responde-me que sim, que aceita. Pergunta-me se sou portuguesa. E eu, "Sim. Mas como sabe?". "É que eu também sou português!". "Aaahhh!!!...", penso para comigo, "os anjinhos realmente não dormem em serviço!...".

Foi um prazer enorme poder falar com o senhor. Depois do assunto da máquina resolvido, e na companhia de um cafezinho, lá demos "um dedo de conversa". Uma simpatia de pessoa. Disse-me que está para breve o seu regresso a Portugal. Já tem a casinha na aldeia pronta. "A Alemanha já não é o que era", diz-me. "Agora, trabalha-se para ganhar o suficiente para pagar as contas ao fim do mês. E, e..."

Foi mesmo um prazer. Volte sempre, Sr. G.! Pelo menos enquanto por cá andar.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Teatro Luso apresenta...



No Gymnasium Hochrad (Hochrad 2, 22605 Hamburg), hoje pelas 20h00 e amanhã pelas 15h30.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Patins, para quê?


O Alster congelou. O suficiente para podermos andar em cima.
O R. chegou a casa com a "aquela cara de miúdo" a dizer atravessei o Alster de bicicleta! Passamos por lá hoje à noite? E eu para os meus botões bolas, está um frio que não se pode e este gajo quer ir para uma arca frigorífica natural...

No entanto, gosto quando me surpreendo a mim própria.
Chegámos ao lago Alster por volta das dez. Um silêncio... Não se ouvia nada. Apenas o riscar dos patins de um rapaz, lá ao fundo. A noite estava estrelada. Escura mas clara. Entrámos no lago. Tão liso, o gelo. Suave. Escorregadio. Frio, claro.

Revivi momentos passados em patins, na Polónia. O frio a bater na cara enquanto o resto do corpo se mantém quente.

Por mim ficava por lá a brincar por mais algum tempo. Sim, adorei a sensação de sentir os pés soltos, sem serem "fixos" ao chão. Patinei imenso mesmo sem patins! Brinquei ao boneco que se dá corda e cujos passitos se repetem vezes sem conta por segundo. Diverti-me e fartei-me de rir. Enfim, voltava lá outra vez.

Ao que parece, já não vai haver festa como em 1997. Talvez para o ano!

p.s.: o som do gelo a partir debaixo de água, por baixo dos nossos pés, é assustador. Mas nós ainda nos safámos, agora o puto de ontem, foi mesmo à água!

Imagem daqui.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Anita na Airbus


E lá fui eu, mais uma vez, fazer algo que nunca pensei ter oportunidade de fazer: visitar as instalações de produção da Airbus em Hamburgo.
Foi tanta informação em apenas duas horas e meia, que não vale a pena contar-vos todos os pormenores. Mas aqui ficam algumas curiosidades:

1) Um avião daqueles pode pesar 560 toneladas;

2) Para transportar as peças maiores, a Airbus construiu o Beluga (que qualquer um pode também alugar...);

3) Entre os passageiros e o exterior existe o seguinte: o revestimento branco interior que todos conhecemos, tubagem e cablagem, e uma chapa metálica de aprox. 3mm de espessura mas que em algumas zonas chega aos 2mm (!). Esta última chapa é a estrutural :D

4) Se vier um sheikh qualquer, e disser que quer um cockpit diferente daquele que normalmente usam, a Airbus faz. Mas o preço pode subir em 2 dígitos E porque? Porque fazem duas caixas de cockpit: a final e outra prévia, que serve para verificar se tudo encaixa perfeitamente e ainda para fazer ensaios destrutivos de resistência :D

5) A pintura exterior é feita À MÃO! Pois nenhuma máquina conseguiria um acabamento tão perfeito;

6) 3,2 Litros / 100 km / passageiro é quanto um bicho daqueles consome. O A380 pode chegar aos 3;

7) As partes do avião são feitas em países diferentes: Alemanha, França, Reino Unido e Espanha. Alguns aviões são montados em Toulouse e outros em Hamburgo;

8) Nas visitas guiadas não é permitido tocar nas peças dos aviões :(

9) As instalações da Airbus em Hamburgo são tão grandes, que é preciso andar de autocarro lá por dentro;

10) A Airbus pertence à EADS que é uma empresa aeroespacial europeia;

11) São entregues a clientes, cerca de 4 aviões por mês. Cerca de 440 un. por ano;

12) Os aviões que eu apanho para ir até Portugal, pertencem ao grupo Familiar (dos mais pequenos);

13) O A380 é um monstro comparado com os aviões que apanho para Portugal;

14) E como não há 13 sem 14, está um frio do caneco para ir mal vestida para uma visita guiada destas!

15) Os acabamentos dos aviões são todos feitos nas instalações de Hamburgo. Os aviões construídos em Toulouse, voam apenas com a estrutura feita, sem qualquer tipo de acabamento (pintura, revestimentos, bancos, WCs, etc.) até Hamburgo para serem terminados. Se a entrega do avião ao cliente for em Toulouse, o avião volta a voar até lá depois de ser terminado em Hamburgo;

16) E para isso, existem pistas de aterragens nas próprias instalações da Airbus. Em Hamburgo atravessa uma estrada, mas já andam a projectar um circuito alternativo para para os automóveis;

17) Cada parafuso colocado na ligação metálica asa-corpo do avião, tem a assinatura de quem fez essa colocação. Assim, é possível identificar, em caso de algo correr mal estruturalmente naquela zona, quem foi o responsável pelo trabalho;

Adorei andar a passear por lá. Voltava lá outra vez! Quem alinha?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

E ainda não parou!


O meu chefe diz que não se lembra, em 20 anos, tal acontecer!

Foto daqui.

Se calhar... Devia arranjar outra bicicleta...


Ontem recebi um e-mail a perguntar quem é que queria fazer parte da equipa de ciclistas da empresa. Dar uns passeios e tal, e talvez entrar nesta corrida lá para Agosto. Eu respondi que sim!
Cheguei a casa e contei a novidade. A cara de espanto do R. a olhar para mim foi engraçada... Acompanhada de um "vais andar os 40 e tal km???"
Ainda não percebi bem quantos km são afinal, mas... Venham eles!!!!
E a bicicleta que vou levar vai ser uma das do R. de Down Hill. Vai ser de partir o coco a rir!!

Imagem daqui.

domingo, 27 de setembro de 2009

Varekai


Foi lindo. Ainda me lembro de ver o espectáculo na televisão e pensar "quando for grande quero estar lá, na plateia!"
Não sei se ter 30 anos significa ser grande mas que estive , estive!
Parecia a mesma miúda de seis anos quando o pai, pela primeira vez a levou ao circo. Não sabia se havia de bater palmas ou se continuar a olhar para todas aquelas cores e movimentos, com medo que um simples bater de palmas fizesse desaparecer todo aquele espectáculo. Adorei.
Esta é uma das vantagens de se ter emigrado para uma cidade onde tudo acontece a preços incríveis!
O que eu me ri com esta cena e esta. E quanto ao solo de muletas, tivemos o prazer de assistir à original, em que o actor/malabarista é deficiente motor, e a beleza dos seus movimentos não se compara com a dança coordenada desta cena.
Adorei.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Anita com a família em Hamburgo


O pai Tó e a mana Jo vieram visitar-nos. Como não poderia deixar de ser, tinha tudo programado (quase sem espaço para respirar) pois havia muita coisa para ver em três dias e meio! Acho que ficaram mesmo de rastos. Confesso que até eu! Mas viram e fizeram tanta coisa que posso dizer: "missão cumprida!".
Houve tempo para tudo: fazer caminhadas nos parques verdes, passear de barco, subir a torres para se ver a vista, comer até abarrotar bem como Imbiss, nadar em águas termais, apanhar chuvada (e respectiva molha) e tirar muitas mas muitas fotografias!

Gostei mesmo de vos ter por cá. Voltem sempre!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nao há condicoes!


Nao há condicoes para trabalhar! Quer uma pessoa escrever (PENSAR) em ingles e os meus colegas decidiram agora comecar uma conversa (em alemao, claro!) sobre "o que está mal e o que está bem" aqui na empresa... Estou mesmo a ver que só acabam esta conversa lá para a hora de almoco. E eu aqui a tentar "pensar" / trabalhar...
É que nao se calam! Haja paciencia.

Imagem daqui.

p.s.1: ainda dizem que os tugas é que sao fofoqueiros :P

p.s.2: e vai mesmo um post sem acentuacao!

domingo, 23 de agosto de 2009

Era já amanhã!


Este ano resolvemos fazer ao contrário. Em vez de ir a Portugal no Verão (e ir à praia, tomar sol a sério, comer peixe até fartar, visitar as feiras medievais, pular no Andanças, etc.) decidimos passar o Verão em Hamburgo. Quando o Inverno chegar a Hamburgo, faremos então férias no Dubai.

Mas não deixa de ser uma sensação estranha, saber que agora tudo se passa em Portugal (Verão, essa estação do ano de que tanto sentimos falta!) e nós aqui... É a mesma de sensação de quando se sabe que há uma festa para a qual não fomos convidados.

p.s.: Voava já amanhã! Mas a família está a caminho de Hamburgo... :D

Foto daqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Vanille Puddingtörtchen aus Portugal


Mas quem é que decidiu inventar por estas bandas que as Natas são pudim? É que não tem nada a ver!!! E para mais, colocam essência de baunilha... Mas vá lá! São já poucas as pastelarias que ainda usam a baunilha (bolas!).

p.s.: sabem que se os Pastéis de Nata estiverem queimadinhos por cima, os alemães não os comem? Provoca cancro, argumentam eles...

Bom dia!


Ontem, o pessoal que trabalha no meu piso, recebeu um email de um dos chefões a dizer que a empresa iria receber clientes e que parte da reunião seria no nosso openspace. Gentilmente pedia ao pessoal para "arrumar a casa" (recolher garrafas vazias, arrumar as pastas, etc...). A equipa do projecto europeu lá fez a sua parte: pendurou finalmente os cartazes do projecto que andaram meses aos rebolões pelo chão :) E a Ana ainda fez mais: vestiu-se que nem executiva (para dar melhor aspecto).
Embora tenha dormido mal e me tenha arrastado (literalmente) por uma viagem de U-Bahn mais S-Bahn de 30 minutos (não contando com os 10 minutos que tenho de fazer a pé), consegui chegar ao escritório antes das 10h, mesmo a tempo de ser vista pelo chefão e clientes, sentada à secretária a teclar no portátil.

Terminada a reunião, o grupo dirige-se para a porta da saída e quando passam por mim, oiço o chefão a dizer: "and there is our native portuguese speaker!". E eu para os meus botões: "Eh lá! Esta foi para mim!". Imediatamente coloquei em piloto automático o meu simpático sorriso (de orelha a orelha) e disse: "Bom dia!", seguido naturalmente de um "Hallo!".
E esta, hei? Querem lá ver que os tais clientes eram tugas???

Fico mesmo contente que empresas portuguesas (e até o governo português, segundo palavras do chefão, num dia que veio meter conversa comigo) estejam a investir em serviços de consultoria alemã e ainda por cima onde eu trabalho. Para mim, é um bom sinal! Aliás, um óptimo sinal ;)!

p.s.: Confirmado: era português.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Anita na praia


Ouvi dizer que o pessoal anda meio aborrecido em Portugal. Tempos de férias e tal e sol, nem visto. Por aqui, também não tem sido melhor, já que os emigras foram todos de férias. Só ficaram mesmo aqueles que aguardam pelo tempo de Inverno para ir dar os seus passeios. Mas mesmo assim, tenta-se preencher algumas falhas, como por exemplo: IR À PRAIA. Ah, pois é! Aqui bem no norte também há praia. E que bem que se está lá, como podem ver pelas fotos.
É um local parecido com... :D Algarve, admirem-se! Quer dizer... Ok, não tão parecido com Algarve. Mas é sem dúvida um sítio turístico com muita gente.
O R. ainda chegou a tomar uma banhoca, depois de eu insistir com ele que a água estava maravilhosa (pelo menos para os meus pés :D ) mas depois acagaçou-se com as "Águas-vivas". Pelo que percebi, só as que tem um anel vermelho é que são perigosas.
Acabámos o dia a assistir a um maravilhoso Pôr-do-sol de um lado, e a lua cheia do outro. Não estava à espera de uma surpresa destas por estas bandas, devo confessar…

sábado, 8 de agosto de 2009

27°C


Está um calor que não se pode!!!
Como é que eu aguentava os 40°C que faziam quando eu era cachopa...?
A ver se vou até à rua refrescar-me! Bolas...

domingo, 2 de agosto de 2009

"Mas é actriz?"


Mary é uma doçura de amiga. Colombiana e de temperamento muito parecido com o do português. Nascidas em lados opostos do Oceano desenvolvemos rapidamente uma relação de amizade. Não vos sei explicar, mas é mais fácil fazer amizades com latino-americanos do que com alguns europeus :) Já dizia a Mary: "Afinal, nós viemos de Espanha...".
É fotógrafa profissional e já fez várias campanhas publicitárias aquando da sua permanência em Bogotá (Colômbia) e Costa Rica. Trabalhou para as campanhas da MacDonalds, Marlboro, Coca-Cola, etc.. Um dia percebeu o que não queria na sua vida e decidiu terminar a sua relação com campanhas publicitárias de multinacionais como as que escrevi. Rumou a Espanha onde se sentia como em casa, diz. Mas o marido, alemão, não. Então, rumaram a Alemanha. Agora o marido encontra-se feliz e Mary, não :) (A vida é tramada!).

Quando era miúda, o meu pai fartava-se de nos tirar fotos, e eu lá me deixava fotografar... Mas quando cheguei à adolescência, fiquei simplesmente a odiar que me tirassem fotos. E essa fase durou até eu precisar de uma foto decente para colocar no meu CV, ou seja, há um ano e meio :). Eu já tinha uma foto tipo passe, tirada em Portugal. Mas quando mostrei ao pessoal daqui, até apanharam um susto! E disseram-me: "Hmm... Ana, se tu envias um CV aqui na Alemanha com essa foto, podes bem esquecer em conseguires um emprego!"
"Ok!", disse eu. "R., amanha vamos fazer uma sessão de fotos minhas lá em casa até conseguirmos uma decente". E assim foi. Passadas 2 horas a pousar de vários ângulos, de olhos fixos na câmara fotográfica, coleccionámos umas... 200 fotografias. Depois de uns retoques dado pela mana, finalmente consegui A foto decente.
Assim, aprendi que as poses e sorrisos se treinam e que até é possível tirar-se uma foto em que eu fico bem. Incrível!

Mary, neste momento não trabalha. Optou por ficar em casa a tomar conta dos miúdos, mas sempre que saímos, leva atrás de si, o seu "bebé": a sua máquina fotográfica. E numa dessas nossas saídas, lá insistiu para me tirar umas fotos. E eu, um pouco mais à vontade com a objectiva do que há uns dois anos atrás :), deixei-me levar pelo seu entusiasmo. Demais!... É demais ser-se fotografada por alguém profissional, pois passamos o tempo a ouvir: "Uau! Fantástica! Uau! Liiiinda! Um pouco mais de sorriso... Vira-te um pouco para a direita, e queixo para a frente. Uau! Maravilhosa!!!" :D O que eu me farto de rir e de me divertir! Ela tem mesmo jeito :)

Não é que esteja a pensar em me candidatar a outro emprego, mas é sempre bom ter algumas fotos "decentes" para colocar no meu CV. A que enviei da última vez foi a que resultou da sessão fotográfica cá em casa (que pelos vistos funcionou). E como a Mary continuava a aliciar-me com mais uma sessão fotográfica, decidi aceitar, mais uma vez, o desafio. E ontem lá fomos, ela com máquina e tripé e reflectores às costas (que eu também ajudei a acartar) e eu vestidinha que nem executiva!
O sítio foi escolhido por ela: uma zona com edifícios em estrutura metálica de fundo, perto da zona do porto, mesmo em cima de uma ponte pedonal. Estão a ver o pessoal a parar, para ver o que se passava? "Mas é actriz?" :D
Quem diria!? Eu que detestava que me tirassem fotografias, a deixar-me fotografar num ambiente completamente envolvido de gente a olhar para mim!
Nesta sessão, aprendi que as poses e os sorrisos se conseguem manter por alguns segundos e até minutos, bastando para isso, pensar em algo que nos faz feliz. E não foi difícil porque na verdade estava/estou feliz!

Não há que ter vergonha em se dizer que se está feliz. Estou. E digo-o sem problemas. Podia ser sempre melhor: podia estar junto da minha família, dos amigos que deixei em Portugal,... Mas, com o que tenho, agora, (mesmo vivendo nos nossos 47m2 de apartamento) somos felizes, sim.

p.s.: Mary é como a minha mãe que é enfermeira: "Levar uma vacina, Ana? Não custa nada! Anda cá! Vês? Já está!". Passados uns dias, pergunto: "Então mãe, ouvi dizer que fugiste do dentista quando ele te quis dar a anestesia...!!!??".

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Grito da Gaivota II

Sou portuguesa. Nasci em Portugal, na ponta da Europa. E só sei o que é ter como fronteira, onde o sol nasce, um único país e do lado onde o mesmo se põe, um oceano. Viajar até um país no centro da Europa significa ter de passar pelo menos por uns 4 países.

Nunca vou falar perfeitamente alemão. Porque simplesmente a comunicação não é apenas a língua que se utiliza, mas também a cultura de um povo. E a cultura de um povo não é só a língua. Por muito bem que se fale uma língua (para além da língua-materna), há coisas que simplesmente nunca serão possíveis de entender, pois a base cultural é diferente.

Com isto, desistam de sonhar que um dia a Ana dirá as suas piadas em alemão para um grupo de 10 alemães (pois as minhas piadas só têm piada em português); desistam de sonhar que um dia a Ana saberá aplicar bem as declinações no acusativo, dativo e genitivo em alemão (opá, mas quem foi que se lembrou de declinar substantivos?); desistam de sonhar que um dia a Ana perceberá, sequer!, 70% das conversas em alemão; e finalmente desistam de sonhar que um dia gostarei de sopa com leite ou natas!!!!!!!
Agora, se me quiserem deixar, um pouquinho mais, ser como eu sou (da essência de que sou feita); se me quiserem cantarolar um pouco mais dos vossos dialectos que falam com a vossa família (sem medo de parecer mal!); se me quiserem dar a conhecer a vossa casa e o vosso gato; e finalmente se me quiserem dizer que as roupas coloridas que uso dão vida ao nosso espaço de trabalho, então, aí sim! Venha daí a sopa com leite e natas e queijo coalhado! Marcha tudo!!!

Uma terra sem imigrantes não tem piada nenhuma! São "as gentes de fora" quem dão mais vida a um país. Nada me dá mais vontade de sorrir do que ver um miúdo de origem africana, em plena carruagem do metro, a pular sedento de ritmo e movimento... Eles saltam, cantam, metem-se com as pessoas... Demais! Para mim, o dia parece outro! Iluminado...!

domingo, 26 de julho de 2009

Já passaram dois anos...


Faz este mês dois anos que enchemos o carro e partimos para Hamburgo.
Foi um mês cheio de emoções e expectativas, festas de despedida, alguns preparativos, e principalmente cheio de muito carinho e respeito pela decisão que tomámos.
Não fazia ideia do que me esperava. Acho até que nem queria mesmo saber, pois temia que se o soubesse, desistiria a meio.

Lembro-me de dizer ao R.: "Será só por 2 anos...!"
Os dois anos já passaram (a correr) e nós por aqui andamos, ainda com tanto por ver, conhecer, viver! Dois anos de experiências únicas e intensas cheias de novos desafios e batalhas vencidas. Que nem por um segundo nos arrependemos.

E sai um VIVA aos desafios!!!

Vem aí o Agosto!


Ao Domingo, aqui por terras de Hamburgo, há missa também em português. E depois da missa é hábito o pessoal encontrar-se numa das pastelarias perto da igreja. Por volta das 13h é vê-los a chegar: o senhor com fatinho domingueiro de calcinha preta vincada, a senhora com o seu conjunto cor-de-rosa e camisa aos folhos, a miúda com os seus sapatinhos de verniz e meia branca, etc..
Nós, eu e o R., também frequentamos essa pastelaria, num Domingo ou outro. Uns vão à missa... E eu vou mais cedo para marcar a mesa ;)

Há umas semanitas, por volta da uma menos vinte, já tinha eu chegado à pastelaria para cumprir a minha função. Sentei-me e a conversa da mesa em frente chamou-me a atenção. Três tugas de calcinha vincada conversavam entre si formando uma imagem algo familiar: pareciam que se tinham esquivado à missa para ter um dedo de conversa na pastelaria. Falavam sobre as férias de Verão deste ano. E era mais ou menos assim:

Tuga 1: -"E quando lá vamos, credo! É um exagero de comida! Vamos a casa deste e daquele, e em qualquer que seja a casa, lá está a mesa cheia de comida. Uii! É que podem até nem ter dinheiro, mas mesa cheia, não pode faltar!"
Tuga 2: -"Ohm! O meu primo diz que quando lá vai encontra-se sempre com mil e uma pessoas. Eu já não! Já não conheço lá ninguém..."
Tuga3: - "E depois é sempre uma chatice, porque nunca são férias! Na semana passada ligaram para saber quando é que lá apareciamos, que a altura das batatas já tinha chegado. Estão cá com uma sorte!"
Tuga 1: -"E depois é aquela casa que construímos. Enooorme. Para quê? Chegava-nos bem uma casa com dois quartos e um WC. A mulher passa as férias a limpar a casa. E eu a fazer outras coisas. E ela também gosta de limpar as coisitas à maneira dela. A casa tem 5 quartos, cada um com WC..."
Tuga 3: -"Para que é que construíste uma casa tão grande? Agora amanha-te!"
Tuga 1: -"Não estou arrependido, só digo é que se fosse hoje a construir... E depois, passam-se dois e três anos sem que se abra uma janela à casa!"

Sinceramente, pensei que já não existissem, mas que os há, há!