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domingo, 25 de agosto de 2013

Diferenças culturais

No Stadtpark, a um Domingo à tarde, a apanhar sol com a minha amiga alemã, sentadas numa mantinha em cima daquele verde imenso...

Ana: - "M., o teu filho está a comer relva...!"

Maria: - "E qual é o problema? Pior foi quando fomos à praia em Portugal, que ele pegou numa mão cheia de areia e pôs na boca!"

Ana: - "Ahm... Areia não faz mal nenhum. Até limpa a tripa!"

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Oferta de trabalho na Alemanha

Just in case you are a civil engineer and looking for a challenge :)

-       Location: Northern Germany
-       Start Date: ASAP
-       Duration: 6-8 months
-       Rotation: 14 days on/14 days off
-       Shifts: 12 hours
-       Day rate: TBC
-       Job description: Offshore Site Manager (on board JackUP), Co-ordinating Client Reps and on board vessel command. Monitoring and Ensuring HSE regulation, Control all work documentation, Co-ordinating and control installation subcontractor, Approval of invoices, documentation of claims etc…

Required:
-       4+ years experience in civil/plant engineering
-       Offshore wind experience - preferably within turbine installation (offshore)
-       Fluent English -German is a massive bonus
-       Valid Bosiet/Huet, Offshore Medical, First Aid training

Please contact: s.carew@earthstaff.com

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Hoje fui para o trabalho assim:


- "Bom dia, Sr. Ana. Hoje temos para si um Audi A3 Cabrio. Divirta-se e aproveite!"

- "Ah... Isso é um carro rápido, é?"


 p.s.: A ignorância é algo que nos pode trazer boas surpresas :)

domingo, 22 de abril de 2012

Iniciativa alemã

Quando me mudei para a Alemanha, vim sem quaisquer preconceitos. Ouvia em Portugal "Hii... Vais mudar-te para a Alemanha? Os gajos são distantes e frios...". Nunca liguei a esses comentários. E ainda bem.

Os preconceitos não nos deixam ver com clareza, são como palas nos olhos indicando apenas uma direcção.

Depois de alguns meses a trabalhar num ambiente maioritariamente alemão (tipo... em 50 somos 7 estrangeiros) não posso dizer que têm sido meses fáceis. Houve um ou outro mail em alemão que escrevi e que a pessoa que recebeu não percebeu; houve aquela conversa em alemão que não consegui transmitir o que precisava e tive de mudar para inglês; houve aquela indicação que não entendi bem e fiz de maneira diferente ao que se esperava; etc... Coisas normais de um imigrante! (Nada de pânico, foram situações normalíssimas na vida de um imigrante. E na verdade, os colegas reagiram bem e quase sempre até deu direito a umas gargalhadas!).

Porém, o que realmente me andava a incomodar e a dar comigo em doida, era eu não conseguir que a equipa me comunicasse a informação de que eu tinha solicitado, em diversas ocasiões. Mandava mail, pedia pessoalmente, voltava a recordar, e nada... Meses a pensar: "Que estarei eu a fazer de errado?" E depois de comentar com alguns colegas esta minha frustração, todos me respondiam "Não é nada pessoal, Ana! Temos é muito que fazer e estamos muito stressados com o trabalho...".

Embora várias tivessem sido as vezes que tivesse dito aos meus colegas de que a tarefa X era da minha responsabilidade, há três semanas atrás, apercebo-me de que estavam mais dois colegas a trabalhar nessa mesma tarefa. Na minha tarefa. Mas sem terem comunicado um ao outro de que a estavam a fazer. Sim, mesmo depois de eu, durante uns quatro meses tenha repetido que era a MINHA tarefa. E o que eu acho mais incrível é que as suas mesas de trabalho estão viradas uma para a outra!!!


Esta maneira de trabalhar, sem ser em equipa, pode transformar o dia-a-dia no escritório desgastante e frustrante... Vê-los a trabalhar cada um por si e para si, sem pensarem no Todo, nos objectivos comuns. Pensa-se no EU / MEU trabalho. E como portuguesa, que adora comunicar, se interessa pelo que cada um faz na empresa, devo dizer que a adaptação tem demorado mais tempo do que estava à espera. Mas, ao que parece não sou a única! Os próprios colegas alemães, por vezes queixam-se do mesmo, mas em relação aos outros colegas ;)

Hoje li um parágrafo numa revista sobre "international business skills" que dizia o seguinte:  
"I have done many such profiles with German-speakers and have notice the low priority that they often give to flexibility of communication style. Many German-speakers see great flexibility as a sign of superficiality and "playing games". The key feedback I give them is that international partners may see this inflexibility as a sign of arrogance." (*)


Plimmm! Fez-se luz! É isto o que eu sinto no meu dia-a-dia no trabalho: uma falta de comunicação impressionante entre os colegas de equipa. Não se interessam por saber o que o colega faz ou se o trabalho que desenvolvem é útil para mais alguém. À primeira vista poder-se-ia mesmo dizer que "estão-se a marimbar para o trabalho dos outros" e o que interessa é o EU / MEU. Tal como eu pensei há dias atrás.

E depois vem uma frase como esta (*) que nos tira o peso de cima de nós. Aquele peso que nos faz pensar que estamos a fazer algo de errado, a cada nega e indiferença dos colegas.

Puf! Afinal, é mesmo uma diferença cultural. São assim, faz parte da sua maneira de ser, da sua cultura, e só depois de entendermos e aceitarmos isso, podemos ver as mesmas situações de outra perspectiva: "Ok, não foi nada de errado que escrevi no mail, não foi nada de errado que eu disse na reunião, não foi o não ter sorrido naquela manhã. É assim que funcionam".

No fim disto tudo tenho a dizer que, por alguma razão se criam os preconceitos. O importante é o que fazemos com eles, a importância que lhes damos. NÃO julgar tem sido uma regra de ouro na minha vida que eu quero continuar a manter. A "ideias preconcebidas" podem-nos ajudar a entender melhor o Outro, neste caso, uma outra cultura. Mas não nos dá o direito de julgar apenas pela negativa. Há que aceitar e sermos cada vez mais flexíveis, tolerantes. Esse é o caminho que acredito que tem de ser feito.

E mais há a dizer! Admiro nestes "gajos" pela a iniciativa que têm. Aliás, a situação de estarem três pessoas a trabalharem na mesma tarefa, sem ninguém saber, deve-se a esse facto. Não esperam por ninguém para lhes dizer o que têm de fazer. Nisso, temos de "lhes tirar o chapéu" e dizer: tivéssemos um pouco mais disso em nós, e o hífen já nao era necessário "tirar-se"!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Estou a ficar alemã...


Cena 1: Chegada a Lisboa, na bilheteira da CP, com dois amigos que encontrei ainda no aeroporto de Hamburgo, e uma fila de dez pessoas atrás de nós.

Ana: - "São três bilhetes para Coimbra, por favor."
 

Amigo da Ana: - "Olhe, este cartão X aqui dá desconto no meu bilhete?"
 

Vendedor: - "Não. Mas se tivesse o cartão Y dava. Sabe que o cartão Y tem a vantagem de .... blá blá blá. O cartão X só dá para... blá blá blá. Com o cartão Y poderia... blá blá blá..." 

Ana (preocupada com as dez pessoas atrás de nós): - "Pronto, deixe lá isso. Venda lá os três bilhetes normais."

Vendedor (com cara de quase ofendido): - "Desculpe, por estar a fazer o meu trabalho, que é informar os utentes." 

 
Ana (com cara de aflita): - "Desculpe. Tem toda a razão. Mas é que podem estar pessoas atrás de nós que precisem de apanhar um comboio em poucos minutos..."

Vendedor (com cara de "escusas de pedir desculpa, pois já o disseste!"): - "Pois. Aqui tem os bilhetes."


Ana (a pensar e com remorsos): - "Coitado do senhor... Ele a ser simpático e eu a querer despachar-nos por causa dos que estavam atrás..." 




Cena 2: Já em Coimbra, a pagar numa bomba de gasolina, depois de atestar o carro.

Ana (a escrever o seguinte SMS à S.: Então, onde é o café logo à noite?) : - "Bomba 2." 

 
Vendedora: - "Tem cartão Galp?"

Ana (ainda a tentar acabar o SMS): - "Não."

Vendedora: - "E não quer? Dá descontos!"

Ana (a pensar "bolas que ainda não consegui acabar de escrever o SMS"): - "Não." 

 
Vendedora (com cara de poucos amigos): - "Desculpe por estar a fazer o meu trabalho que é também informar... Aqui tem o recibo."

Ana (a pensar e com remorsos): - "Bolas, é a segunda vez desde que cá cheguei! Mas, estou a dizer alguma coisa de mal? Será que o meu português não é igual ao deles? Eu só não queria o cartão! Mas... Como é que isso se diz, afinal?..."


Aaahhhhhhhh!!!!!! Estou a ficar alemã.. HILFE!!!!!!


p.s.: Não se é de onde se vem, nem se é de onde se está. E agora...?

domingo, 20 de novembro de 2011

Outros tempos

Não sei como é que muitos ainda não perceberam que o panorama por aqui, na Alemanha, também não está nada famoso e a caminhar para o medonho...
O que eu posso aconselhar aos que me pedem informação sobre trabalho na Alemanha é que tentem outros países / continentes pois as coisas pela Europa já deram o que tinham a dar... 

Ah! E é a terceira empresa alemã onde trabalho e devo dizer que a minha decepção sobre a "organização alemã" não tem sido pequena. Como diria uma senhora amiga minha, "isso foi noutros tempos!".

sábado, 5 de novembro de 2011

Carta ao Jorge

 Como é a vida na Alemanha?

Depende muito da nossa maneira de ser (se somos pessoas abertas a novas culturas), da nossa formação (se temos um diploma de uma formação que é precisa no mercado de trabalho), da nossa capacidade de falar outras línguas (se aprender alemão nos dará algum gozo), da nossa expectativa monetária (se pensamos que em 2 anos estamos a comprar o tal Mercedes), etc..

A vida de imigrante pode não ser fácil se teimarmos em não nos conformarmos que não estamos em casa, mas que é possível viver assim. Longe de casa. Haverá sempre alguma coisa que "não está bem", que não sabemos explicar o que é, e por isso, nos poderá tornar a vida menos agradável num país estrangeiro. Que fazer? Aproveitar o tempo para absorver o que a sociedade onde estamos inseridos tem de melhor. Ponto! Não vale a pena viver a pensar no que funciona mal, no que funciona melhor no nosso país.
O que me empurrou para sair do país foi a vontade de ver "mais", para além da nossa fronteira com Espanha. 

Mas se pudesse, voltava para Portugal. "Se pudesse"... Eu posso, a qualquer momento. É uma questão de escolha. Neste momento consegui o trabalho que sempre sonhei. Ganho bem, tratam-me bem, trabalho num projecto inovador, estou perto do marido e amigos (não tenho de mudar de cidade). Conseguiria isso em Portugal? Não. Compensa estar longe da família e amigos para poder ter este tipo trabalho? Para mim, por enquanto sim. 


Na verdade, hoje em dia, compra-se um bilhete para Portugal a 98€, ida e volta, directo. E é suficiente para matar as saudades, ir umas três vezes a Portugal, por ano? Para mim, não. Mesmo assim, pretendo continuar na Alemanha? Sim. Posso ter crescido a pensar que o futuro era um conjunto de certezas. Isso deu-me a segurança necessária para arriscar (se não funcionar, sempre posso voltar atrás), e principalmente, deu-me equilíbrio emocional para recuperar das rasteiras que a vida me pregou
Porém, o mundo mudou. Aliás, está em constante mudança. O que demorava décadas a mudar numa sociedade, há cem anos, hoje em dia demora uns... Dois anos. A mudança tem sido a tal velocidade que apenas aqueles que se tornam "flexíveis e adaptáveis", se safam. E não foi sempre assim? Posso ter crescido a pensar que o futuro era um conjunto de certezas. Mas hoje eu sei, que essa certeza já não existe e jamais vai voltar a existir. 

Invejo aqueles que podem usufruir da minha terra, no dia-a-dia: o cheiro do café nas ruas, o sol de Inverno, a noite negra repleta de estrelas, o cheiro da flor de laranjeira numa noite de Verão, o orvalho nos campos verdes, as ondas do mar.
Porém, cada emigrante carrega uma história. Uma experiência. Cabe a cada um deixar-se passar pela experiência e tirar as suas próprias conclusões. Pelo menos eu nunca correrei o risco de dizer "se pelo menos eu tivesse tentado ir para outro país..." :)

terça-feira, 12 de julho de 2011

O blogue "Dicas sobre trabalho na Alemanha"

Estive a "arrumar a casa" e deu nisto: um novo blogue com informações sobre trabalho na Alemanha.
O objectivo é partilhar a minha experiencia pessoal (e opiniões) que possam, de alguma forma, ajudar quem esteja interessado em trabalhar aqui, na Alemanha.
Boa leitura!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Em vez de praia... Parque!

O que eu acho fantástico, por estas bandas, é que um piquenique tuga nunca é um "piquenique de tugas". É, sim, mais um "encontro internacional", e as línguas que se ouvem num encontro destes são, pelo menos, três: português, alemão e inglês (tal é a diversidade de nacionalidades nesse encontro). Com sorte dá para desenferrujar o espanhol (portunhol, vá...) e refrescar o francês. O importante não é falar o português ou o alemão, mas sim, comunicar. Se para isso for necessário o uso do inglês, o espanhol, o francês, ou até as mãos e os pés, venha de lá então essa parafernália de línguas!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Subsídio de desemprego vs Férias


Aqui fica mais uma informação para os desempregados na Alemanha :)

Informem-se sobre quantos dias de férias tem direito durante o tempo em que estão a receber dinheiro do fundo de desemprego.
Pode acontecer que andem para aí a marcar férias na Tailândia e Portugal, e que os dias de férias a que tem direito, pelo Instituto de Emprego, não cheguem para tanta "Vacances" :S
Ninguém vos impede de viajar para onde quer que seja! Mas o dinheiro a que tem direito é apenas referente aos dias de férias definidos pelo instituto.

p.s.: se quiserem arriscar e não informar nada ao Instituto de Emprego sobre as férias, tipo "vou ali a Pt só beber um cafezinho e volto já!", isso é lá com vocês. Mas "shit happens"... E de duas uma, ou não haverá seguro que vos assegure, ou terão de devolver o dinheiro ao Instituto de Emprego que até já usaram :/

Imagem daqui.
Esta imagem nada nada tem a ver com férias pagas pelo fundo de desemprego. Mas achei-lhe piada. É de 2006. Pelos vistos, o fundo de desemprego já foi bem mais gordinho...

sábado, 3 de julho de 2010

Esqueçam tudo o que leram!


Esqueçam tudo o que leram neste blogue sobre "como arranjar emprego"... Isto e isto ultrapassam-me. Mas não me fazem desistir :D