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domingo, 2 de junho de 2013

Nem tudo é um mar de rosas


De um comentário meu neste blogue, faço um post:


"O optimismo inicial de se mudar de país, é normal: é um começar de novo, uma "segunda oportunidade", e tudo é novidade. A verdade é que pondo todas as experiências na balança, as boas ganham sempre. Não nos queremos de lembrar do dia em que alguém fingiu não ouvir a nossa pergunta, só porque somos estrangeiros e estamos de mochila às costas; não nos queremos lembrar do dia que nos confundiram com uma turca e nos abriram a porta do seu estabelecimento para sairmos; etc; e nem interessa porque percebemos que preconceitos existem em toda a parte do mundo, até no nosso país, mas só nos apercebemos quando nos encontramos na mesma situação de imigrante. E depois há a renda de 600€/mês que se paga por um apartamento de 50 m2, fora despesas de água e electricidade.
Não é um mar de rosas, mas até das más experiências se tira uma lição. Lição essa que nunca teríamos aprendido se continuássemos no nosso país, na mesma condição de há anos, acomodados. É uma "viagem ao nosso interior" e a verdade é que as pessoas vão para fora para "crescer". É isso que elas procuram, mesmo não sabendo :) E algumas apercebem-se que, afinal, não teria sido preciso sair do país para "crescerem". Outras encontram na terra que os acolhe o reconhecimento que não tiveram no seu país e pensam "ainda bem que saí".
Acredito que existam muitos casos em que as expectativas não foram de todo preenchidas, ao emigrarem, e esses talvez não se sintam à vontade de o partilharem. Talvez porque se associe isso a um "insucesso", já que todos que emigram dizem que vale a pena. E afinal, é para valer a pena! Quem é que gosta de contar à própria família que, passados 10 meses num país estrangeiro, ainda não encontrou trabalho? Ninguém. Quanto mais num blogue de relatos de pessoas desconhecidas, cujas experiências sao todas positivas.
Isto de se ser emigrante, tem muito que se lhe diga :) O importante é cada um ter a certeza do que quer e seguir a sua intuição. E ser feliz com essa decisão."

domingo, 3 de março de 2013

Elite Young Immigrants

Artigo no Spiegel sobre a imigração na Alemanha. Definitivamente, a ler!
http://www.spiegel.de/international/germany/elite-young-immigrants-could-provide-future-stability-for-german-economy-a-885647.html
 
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Anita vai a Husum

Foi há um ano. O fato e a camisa encontravam-se lavados e pendurados na cadeira do quarto. Os sapatos pretos, novamente limpos, ao lado da porta do quarto. A mala (de cortiça!) com tudo o que poderia vir a precisar: bilhete de comboio, bilhete de entrada, CV em formatos A4 e flyer, listas das empresas a contactar, lista das pessoas das empresas a quem me dirigir.
Aquele nervoso miudinho na barriga: "EU, na maior feira mundial de energia eólica, apresentar-me a empresas, para conseguir um trabalho...?"
Aquela insegurança: "EU, uma directora de (pequenas) obras, com apenas dois anos e meio de experiência, numa feira alemã, para arranjar trabalho?"
Aquele medo: "EU, que nem bem alemão falo... Como é que eu me vou apresentar? Ai mãe...!"

Mas principalmente, aquela certeza: tem tudo para dar errado, mas também tem tudo para dar certo! Eu vou, e vou com TUDO!


Um ano depois, repito a viagem. Mas ainda faltam quatro dias. O fato e a camisa continuam lavados e pendurados, mas desta vez no guarda-fatos. Os sapatos ainda se encontram na caixa de cartão (espero que estejam limpos!). A mala, essa, não falha: acompanha-me em todas as minhas "viagens de negócios", e desta vez ainda está vazia. O bilhete de entrada encontra-se algures na carteira, entre as chaves de casa, porta-moedas, telemóveis, etc... As listas? Dei hoje uma olhadela no site, as mesmas empresas de sempre: Repower, Gamesa, Vestas, Nordex, e por aí fora!

Um ano passou e desta vez irei à mesma feira, mas não há procura de trabalho. Vou, simplesmente, a trabalho. Não terei de colocar máscara nenhuma nem preparar-me para vender o que quer que seja. Vou apenas. Sem pressões, sem medos, sem frios na barriga. Vou com a segurança de que foi nesta mesma feira que, há um ano, consegui. Não foi fácil. Não foi rápido. Porém, olhando para trás vejo que tudo aconteceu no timing certo :)

Ainda no escritório, depois de navegar no site da feira, desligo o computador. Pego no casaco e na carteira. Desligo as luzes e fecho a porta. Caminho pelos corredores da empresa. Lembro-me como se fosse ontem, o primeiro dia que vi aquelas paredes brancas com fotografias de torres eólicas. Desço os seis andares pelas escadas e aprecio a paisagem. O Parque da cidade começa a dar sinais da chegada do Inverno. Não importa. Consegui. Consegui o que me propus a fazer quando me mudei para a Alemanha. Por agora só tenho que agradecer pela vida que levo. Obrigada!

domingo, 17 de junho de 2012

O dia-a-dia no estaleiro

Oito da manhã, e o escritório já bomba com telefones a tocar, fotocopiadora a trabalhar, pessoal a vestir o equipamento de segurança, portas a abrir e a fechar. Nove da manhã, reunião diária com todos os departamentos: fundações, turbinas eólicas, cablagem eléctrica, logística marítima. Meio-dia, almoço na cantina rico em gordura e molhos, um verdadeiro banquete para os que trabalham no porto no transporte de mercadorias. Depois de almoço, reuniões e mais reuniões. Quatro da tarde, tempo para uma pausa e bebe-se um café ou um chá. Cinco da tarde, os olhos começam a fraquejar em frente ao computador. Mas ainda faltam duas horas até todo o pessoal ter despachado as suas tarefas (afinal, queremos esperar uns pelos outros para jantarmos juntos). Sete da tarde, "Então, onde vamos jantar?". Oito e meia da noite, despachado o jantar em mais um restaurante, alguém anuncia "A I. convidou-nos a ir beber umas cervejas a casa dela. Passamos lá a caminho do hotel?". Uma da manhã, aterramos na cama.

No dia seguinte, recomeça tudo de novo. O despertador toca às sete menos um quarto. Sete e um quarto tomamos pequeno-almoço juntos no restaurante do hotel. Meia hora para comermos e falarmos de algo sem ser de trabalho. "Daqui a dez minutos na recepção. Vou só lavar os dentes." Oito menos um quarto entramos no carro e todos se queixam que precisavam de ter dormido um pouco mais. "Vai ser hoje!", prometemos todos e do banco de trás sai uma gargalhada.

domingo, 22 de abril de 2012

São mesmo uma delícia!

As minhas idas ao estaleiro, na cidade portuária onde passaremos a atracar o nosso "barco-plataforma" para construirmos as torres eólicas, são sempre cheias de boa disposição. A camaradagem é mesmo "de obra" (quem é / foi director de obra, sabe do que falo!). Tirando a cena de cada um trabalhar para si...

Desta vez, decidi levar uma prendinha para os trinta colegas: pastelaria portuguesa. Comprei uns bolos e cortei-os de tal maneira a parecerem vários mas em miniatura ;) Distribui numa travessa e deixei na cozinha, como por aqui é hábito fazer quando se traz algo que se quer partilhar com o colegas.
Deram uns cinquenta pedacinhos. Ok, quarenta e oito depois de eu comer dois :)

Passado uma hora, começo a perguntar a cada colega que encontrava casualmente no corredor, se já tinha provado os bolinhos portugueses que tinha trazido. A resposta era sempre a mesma: "Não... Já não há!"

"Como assim, já não há??? Deixei-os há uma hora na cozinha!"

Fui verificar e realmente só tinham sobrado migalhas...

Passa um colega por mim e pergunto "chegaste a provar os bolinhos portugueses?". Ao que me responde "Não. Alguns comentaram comigo que havia bolinhos lá mas eu não cheguei sequer a ver a travessa."

Passado um bocado, encontro a secretária que me diz: "Vê lá tu que fui dar com a travessa dos teus bolos na secretária do P.! Estava a comê-los sozinho e ainda teve a lata de me dizer:

 São mesmo uma delícia!"


p.s.: Nada disso! O P. não é alemão. É dinamarquês :)

Iniciativa alemã

Quando me mudei para a Alemanha, vim sem quaisquer preconceitos. Ouvia em Portugal "Hii... Vais mudar-te para a Alemanha? Os gajos são distantes e frios...". Nunca liguei a esses comentários. E ainda bem.

Os preconceitos não nos deixam ver com clareza, são como palas nos olhos indicando apenas uma direcção.

Depois de alguns meses a trabalhar num ambiente maioritariamente alemão (tipo... em 50 somos 7 estrangeiros) não posso dizer que têm sido meses fáceis. Houve um ou outro mail em alemão que escrevi e que a pessoa que recebeu não percebeu; houve aquela conversa em alemão que não consegui transmitir o que precisava e tive de mudar para inglês; houve aquela indicação que não entendi bem e fiz de maneira diferente ao que se esperava; etc... Coisas normais de um imigrante! (Nada de pânico, foram situações normalíssimas na vida de um imigrante. E na verdade, os colegas reagiram bem e quase sempre até deu direito a umas gargalhadas!).

Porém, o que realmente me andava a incomodar e a dar comigo em doida, era eu não conseguir que a equipa me comunicasse a informação de que eu tinha solicitado, em diversas ocasiões. Mandava mail, pedia pessoalmente, voltava a recordar, e nada... Meses a pensar: "Que estarei eu a fazer de errado?" E depois de comentar com alguns colegas esta minha frustração, todos me respondiam "Não é nada pessoal, Ana! Temos é muito que fazer e estamos muito stressados com o trabalho...".

Embora várias tivessem sido as vezes que tivesse dito aos meus colegas de que a tarefa X era da minha responsabilidade, há três semanas atrás, apercebo-me de que estavam mais dois colegas a trabalhar nessa mesma tarefa. Na minha tarefa. Mas sem terem comunicado um ao outro de que a estavam a fazer. Sim, mesmo depois de eu, durante uns quatro meses tenha repetido que era a MINHA tarefa. E o que eu acho mais incrível é que as suas mesas de trabalho estão viradas uma para a outra!!!


Esta maneira de trabalhar, sem ser em equipa, pode transformar o dia-a-dia no escritório desgastante e frustrante... Vê-los a trabalhar cada um por si e para si, sem pensarem no Todo, nos objectivos comuns. Pensa-se no EU / MEU trabalho. E como portuguesa, que adora comunicar, se interessa pelo que cada um faz na empresa, devo dizer que a adaptação tem demorado mais tempo do que estava à espera. Mas, ao que parece não sou a única! Os próprios colegas alemães, por vezes queixam-se do mesmo, mas em relação aos outros colegas ;)

Hoje li um parágrafo numa revista sobre "international business skills" que dizia o seguinte:  
"I have done many such profiles with German-speakers and have notice the low priority that they often give to flexibility of communication style. Many German-speakers see great flexibility as a sign of superficiality and "playing games". The key feedback I give them is that international partners may see this inflexibility as a sign of arrogance." (*)


Plimmm! Fez-se luz! É isto o que eu sinto no meu dia-a-dia no trabalho: uma falta de comunicação impressionante entre os colegas de equipa. Não se interessam por saber o que o colega faz ou se o trabalho que desenvolvem é útil para mais alguém. À primeira vista poder-se-ia mesmo dizer que "estão-se a marimbar para o trabalho dos outros" e o que interessa é o EU / MEU. Tal como eu pensei há dias atrás.

E depois vem uma frase como esta (*) que nos tira o peso de cima de nós. Aquele peso que nos faz pensar que estamos a fazer algo de errado, a cada nega e indiferença dos colegas.

Puf! Afinal, é mesmo uma diferença cultural. São assim, faz parte da sua maneira de ser, da sua cultura, e só depois de entendermos e aceitarmos isso, podemos ver as mesmas situações de outra perspectiva: "Ok, não foi nada de errado que escrevi no mail, não foi nada de errado que eu disse na reunião, não foi o não ter sorrido naquela manhã. É assim que funcionam".

No fim disto tudo tenho a dizer que, por alguma razão se criam os preconceitos. O importante é o que fazemos com eles, a importância que lhes damos. NÃO julgar tem sido uma regra de ouro na minha vida que eu quero continuar a manter. A "ideias preconcebidas" podem-nos ajudar a entender melhor o Outro, neste caso, uma outra cultura. Mas não nos dá o direito de julgar apenas pela negativa. Há que aceitar e sermos cada vez mais flexíveis, tolerantes. Esse é o caminho que acredito que tem de ser feito.

E mais há a dizer! Admiro nestes "gajos" pela a iniciativa que têm. Aliás, a situação de estarem três pessoas a trabalharem na mesma tarefa, sem ninguém saber, deve-se a esse facto. Não esperam por ninguém para lhes dizer o que têm de fazer. Nisso, temos de "lhes tirar o chapéu" e dizer: tivéssemos um pouco mais disso em nós, e o hífen já nao era necessário "tirar-se"!

domingo, 20 de novembro de 2011

Outros tempos

Não sei como é que muitos ainda não perceberam que o panorama por aqui, na Alemanha, também não está nada famoso e a caminhar para o medonho...
O que eu posso aconselhar aos que me pedem informação sobre trabalho na Alemanha é que tentem outros países / continentes pois as coisas pela Europa já deram o que tinham a dar... 

Ah! E é a terceira empresa alemã onde trabalho e devo dizer que a minha decepção sobre a "organização alemã" não tem sido pequena. Como diria uma senhora amiga minha, "isso foi noutros tempos!".

sábado, 5 de novembro de 2011

Carta ao Jorge

 Como é a vida na Alemanha?

Depende muito da nossa maneira de ser (se somos pessoas abertas a novas culturas), da nossa formação (se temos um diploma de uma formação que é precisa no mercado de trabalho), da nossa capacidade de falar outras línguas (se aprender alemão nos dará algum gozo), da nossa expectativa monetária (se pensamos que em 2 anos estamos a comprar o tal Mercedes), etc..

A vida de imigrante pode não ser fácil se teimarmos em não nos conformarmos que não estamos em casa, mas que é possível viver assim. Longe de casa. Haverá sempre alguma coisa que "não está bem", que não sabemos explicar o que é, e por isso, nos poderá tornar a vida menos agradável num país estrangeiro. Que fazer? Aproveitar o tempo para absorver o que a sociedade onde estamos inseridos tem de melhor. Ponto! Não vale a pena viver a pensar no que funciona mal, no que funciona melhor no nosso país.
O que me empurrou para sair do país foi a vontade de ver "mais", para além da nossa fronteira com Espanha. 

Mas se pudesse, voltava para Portugal. "Se pudesse"... Eu posso, a qualquer momento. É uma questão de escolha. Neste momento consegui o trabalho que sempre sonhei. Ganho bem, tratam-me bem, trabalho num projecto inovador, estou perto do marido e amigos (não tenho de mudar de cidade). Conseguiria isso em Portugal? Não. Compensa estar longe da família e amigos para poder ter este tipo trabalho? Para mim, por enquanto sim. 


Na verdade, hoje em dia, compra-se um bilhete para Portugal a 98€, ida e volta, directo. E é suficiente para matar as saudades, ir umas três vezes a Portugal, por ano? Para mim, não. Mesmo assim, pretendo continuar na Alemanha? Sim. Posso ter crescido a pensar que o futuro era um conjunto de certezas. Isso deu-me a segurança necessária para arriscar (se não funcionar, sempre posso voltar atrás), e principalmente, deu-me equilíbrio emocional para recuperar das rasteiras que a vida me pregou. 
Porém, o mundo mudou. Aliás, está em constante mudança. O que demorava décadas a mudar numa sociedade, há cem anos, hoje em dia demora uns... Dois anos. A mudança tem sido a tal velocidade que apenas aqueles que se tornam "flexíveis e adaptáveis", se safam. E não foi sempre assim? Posso ter crescido a pensar que o futuro era um conjunto de certezas. Mas hoje eu sei, que essa certeza já não existe e jamais vai voltar a existir. 

Invejo aqueles que podem usufruir da minha terra, no dia-a-dia: o cheiro do café nas ruas, o sol de Inverno, a noite negra repleta de estrelas, o cheiro da flor de laranjeira numa noite de Verão, o orvalho nos campos verdes, as ondas do mar.
Porém, cada emigrante carrega uma história. Uma experiência. Cabe a cada um deixar-se passar pela experiência e tirar as suas próprias conclusões. Pelo menos eu nunca correrei o risco de dizer "se pelo menos eu tivesse tentado ir para outro país..." :)

sábado, 8 de outubro de 2011

À terceira é de vez!

Tal como o R. eu também tinha um sonho. Aliás, tinha vários mas como comecei a aperceber-me de que nem todos eles se realizavam, um dia decidi começar a concentrar-me só em alguns. Nos mais importantes. E o resultado tem sido muito bom :)

Há quase três anos decidi publicar as cartas que escrevia à família e amigos sobre o meu sonho e como eu me tinha decidido a concretizá-lo. O título deste blogue e o texto da sua introdução dizem tudo sobre essas cartas:

Porque uma nova etapa se avizinhava, quis tornar acessíveis as "cartas" que só os mais chegados leram naquela altura. Esta é a história de uma engenheira que achou (e muito bem!) que podia ir "até ao infinito e mais além!"

Dizem que à terceira é de vez, e no meu caso, foi mesmo! Depois de trabalhar em duas empresas alemãs que no fim dos meus contratos de trabalho me deixaram com um sabor amargo, eis que chega o meu terceiro emprego na Alemanha, numa empresa que é tudo o que eu sonhava que ainda existia.

Vou trabalhar como engenheira civil, na área da energia eólica, numa multinacional, como gestora de projecto, a vinte minutos de casa e a ganhar bem. Posso dizer, e muitos de vós também o quererão dizer, FINALMENTE ACONTECEU!

Os sonhos são mesmo para serem concretizados e só ouvindo a nossa intuição é possível de o fazer.

Não percam tempo. Realizem os vossos sonhos!

sábado, 21 de maio de 2011

Um comentário que virou "post"

Relacionado com este texto:

Ana disse...
"O que se passou? Nada de especial, espero :) Só acho que este pedido de informações soa mais a um "pedido da papinha toda feita" :)
Existe todo um "trabalho de casa" que é preciso fazer se se quiser arranjar trabalho fora de Portugal. E quem pensa que pode saltar este passo, mandando um mail aqui à Je, à espera que eu lhe envie uma lista de "do and dont's", bem pode esperar pela resposta :) Aliás, aqueles que me contactaram com perguntas construtivas sabem bem que sou rápida a responder ;) Aqueles que gostam de mandar o barro à parede a ver se cola, bem podem ir perguntar a outro lado (se é que encontram). Este blogue já tem IMENSA informação útil sobre o assunto. Quem estiver interessado no assunto, que procure e que sim, perca tempo e paciência a lê-lo. E parem de pensar que arranjar trabalho por aqui é para Chicos-espertos. Irrrrrra!


p.s.: Tenho a certeza de que aqueles que me contactaram com perguntas construtivas, estão neste momento todos a trabalhar por estas bandas :D Pois eles sabiam o que tinham de fazer para o conseguirem, isto é, puxar pela cabeça."

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Trabalho na Alemanha - Como NÃO pedir-me informações

"Ola,

Acabei de ver um post teu no site http://mindthisgap.blogspot.com, a contares a tua aventura na Alemanha. Eu também sou engenheiro civil e como isto aqui em Portugal está complicado de arranjar trabalho, estou a ver se consigo arranjar trabalho no estrangeiro. Que dicas é que podes dar, especialmente ai na Alemanha, para eu conseguir arrajnar ai um emprego.

Com os melhores cumpreimentos"

p.s.1: É por isso que "só alguns" portugueses o hão-de conseguir. Outros, nem por isso.

domingo, 15 de maio de 2011

Dois milhões, dizem...

O que se comenta (*) por aí sobre a necessária mão-de-obra estrangeira qualificada, na Alemanha.

Aqui.

(*) Não esquecer de ler os comentários ;)

sábado, 16 de abril de 2011

Ora aí está tudo o que precisam

E em português. E esta, hei?

(hmm... Ou se calhar não... Lá está: o primeiro passo para encontrar emprego na Alemanha é aprender alemão. Ninguém dá nada a ninguém!)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

E quatro anos se passaram...


Hmm... Começo a ter a sensação de que realmente por estes lados, Alemanha, a coisa "pia de maneira diferente" em relação ao mercado de trabalho.

(Eu teimo em pensar que o ritmo da evolução de certas coisas, aqui e em Portugal, se mantêm igual. Mas se calhar não...)

Em quatro anos aprendi a resumir o meu CV num flyer para levar a feiras industriais, onde, por sua vez, aprendi a apresentar-me como potencial trabalhadora; aprendi que existem entrevistas de trabalho via telefone e que nesse caso o meu sorriso lindo de nada serve; aprendi que colocando o meu CV na internet as empresas de recrutamento vêm até mim; e estou a ponderar criar uma página web para colocar o meu CV acessível a todos via internet (evitando assim a chatice de quem o recebe em forma doc tamanho 6MB).

Interessante...

Alguém me pode dizer como é em Portugal hoje em dia? Como se prepara o pessoal que anda à procura de emprego? Há sete anos sei eu como era e não incluía nada das coisas que descrevi acima. Se preferirem podem enviar as respostas para o meu mail :)

p.s.: Ah! E aprendi a enviar fotos ao pessoal utilizando o Picassa.

Foto daqui.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Carta ao Marco

Olá, Marco!

E eu, antes de mais, quero agradecer-te pelo mail que envias, sem qualquer pergunta do género "como é que se arranja um trabalho na Alemanha?". É que 90% dos mails que recebo são com esta "pergunta simples" (como alguns até me dizem).

Admiro-te por teres ido, e decidido pôr de lado (por enquanto ;) ) o canudo da universidade.

É triste chegarmos a este ponto em que pessoal com formação superior, para se aguentar, tem de pôr o canudo de lado. E não falo só no pessoal português, mas em geral.

Também os alemães estão a chegar lá, "ao ponto", de uma forma diferente: nunca veremos um engenheiro civil alemão a ter de aceitar um trabalho de servente para ganhar dinheiro, veremos sim, a preferência das empresas por um engenheiro civil português em vez de um alemão. Já referi aqui, neste blogue, que a formação académica de um engenheiro civil alemão, está cada vez mais "pobre", resultado dos cursos serem cada vez menos exigentes (palavras do meu antigo chefe alemão e, já agora, do partido da Sra. Merkel. Ou pensam que é só em número que somos precisos?). Muito menos exigente do que nas universidades portuguesas (por enquanto!). E essa é, realmente, a nossa arma. Também caminharemos para a situação alemã, em que os nossos postos de trabalho (engenheiros civis) serão ocupados por engenheiros de outros pontos do mundo (como já acontece em outras áreas). Ainda lá não chegámos. Mas chegaremos!

Enquanto isso não acontece, há que aproveitar as brechas / oportunidades que aparecem, e continuar a ocupar os lugares que os engenheiros alemães não conseguem ocupar. Pelo menos, até se dar a Revolução da Geração À Rasca, em versão Deutsch. Até lá, enquanto eles andarem entretidos com formações profissionais e subsídios de desemprego, toca a aproveitar! Porque esta "mama", que anda a secar há já uns anos, vai acabar de vez!

Coitados dos meus putos quando perceberem que também a geração dos seus pais lixou a deles...
Mas isso, deixa-se para pensar depois, como temos vindo a fazer há pelo menos 50 anos em Portugal. É que a Esperança Lusitana tarda em morrer. E enquanto houver Esperança...

Felicidades e toca a desenvolver esse alemão ;)

Ana

domingo, 23 de janeiro de 2011

Desempregada.


Para quem ainda não sabe, voltei a ficar desempregada.
Os textos deste blogue sempre foram escritos com muito carinho e “energia positiva”… Para que o pessoal não perdesse a motivação de ir em frente e procurar novos rumos na sua vida, tal como eu fiz.
Mas a questão é que tenho recebido mails a pedir informação disto e daquilo, e se a empresa onde trabalho :) está a recrutar pessoal.
Acho que está na altura de contar mais um episódio da minha aventura por estas terras, principalmente agora que o partido a Sra. Merkel veio dizer que a Alemanha quer recrutar pessoal especializado português (e espanhol).

De Junho a Setembro de 2010 estive a fazer formação na área da energia solar e eólica. Formação esta que paguei na íntegra do meu bolso (3.000€ para falarmos de números). Nessa formação conheci pessoal na mesma condição que eu, com formação superior, mas sem trabalho. Eu era a mais nova do grupo pois a faixa etária média devia rondar os 45 anos. Éramos uma turma bastante dinâmica e colaboradora, um ambiente que não estava à espera de vir encontrar numa acção de formação. Todos se ajudavam uns aos outros, davam dicas sobre como optimizar o projecto da equipa vizinha, e sugestões de como tornar as aulas ainda mais interessantes. As alegrias eram partilhadas bem como as frustrações. E quando falo de frustrações refiro-me ao facto de pessoas com 45 anos, com família para sustentar, que foram despedidas e se viram obrigadas a começar tudo de novo. É, portanto, com este pessoal que nós, portugueses, temos de concorrer! Engenheiros civis, engenheiros electrotécnicos, arquitectos, técnicos de várias áreas, etc. (para aqueles mais distraídos que dizem lerem o meu blogue mas que insistem em escrever-me a perguntar este tipo de informação).

O fim da nossa formação em energia eólica coincidiu com a realização da maior feira de eólicas do mundo. Decidimos organizar-nos e deslocar-nos a Husum. É verdade, esta feira realiza-se na Alemanha mas não numa cidade como Berlim, ou Hamburgo, ou até Estugarda. Realiza-se numa cidadezinha, a 140 km de Hamburgo, para norte, chamada Husum.
Tudo o que se passa na área da energia eólica a nível mundial, se passa ali, durante uma semana, onde empresas como a Repower, Nordex, Vestas, Suzlon, Wind Power, …, se fazem representar.
A deslocação a essa feira tinha um objectivo para todos nós: apresentarmo-nos às empresas como pessoal especializado e disponível para trabalhar para qualquer uma delas. Íamos atrás de um sonho, o de conseguir trabalho numa grande empresa na área das eólicas.

Eu fui das únicas que consegui realizar o sonho. Numa das minhas investidas, contactei com uma das empresas e passado uma semana, tal como me tinham prometido, telefonaram-me para marcar uma entrevista.

A entrevista correu muito bem e ofereceram-me a possibilidade de começar com um estágio, remunerado, de dois meses. Aceitei, claro! A empresa dedicava-se apenas a dimensionar as torres eólicas e nada tinha a ver com produção de energia (assunto abordado na tal formação que tinha feito). Dimensionamento de estruturas era algo em que não tinha qualquer experiência profissional e o meu último contacto com tensões, resistência dos materiais, momentos de inércia, tensões de rotura, etc., tinha sido durante o meu curso na universidade. Há 6 anos, portanto.

Um mês e uma semana depois do início do meu estágio já tinha terminado a tarefa para a qual tinha sido contratada :) Os elogios vieram e a intenção de me ter na equipa para 2011, também. As minhas bases em matemática e física tinha-os impressionado, bem como a minha capacidade de procurar resolver os problemas com base na teoria, sozinha (a nossa maior vantagem, como portugueses: somos autodidactas. Obrigada, F.C.T.U.C.!). Várias eram as vezes que se viravam para mim e perguntavam “Tens dúvidas, Ana?” e eu respondia “Não. Pelo menos, por enquanto…”

Na véspera de ir para Portugal, passar o Natal em família, dia em que pensava que ia conversar sobre o meu contrato para 2011, recebo a notícia que afinal a empresa não teria capacidade financeira para me contratar porque iriam entrar em processo de insolvência.
Caiu-me tudo por terra…

Chegada a Portugal, sempre que me perguntavam como ia o trabalho, respondia sempre “muito bem!”. Só passado 3 dias tive coragem de dizer aos meus pais, que mais uma vez, estava desempregada. Porque na verdade fica-se sem forças para se explicar e contar a mesma história, vezes sem conta… E quando se emigra, e se submete a ficar longe da família e amigos, é para se ir para uma situação melhor.

Pela terceira vez tenho de recomeçar o processo de encontrar emprego na Alemanha. Reescrever o CV, cartas de apresentação, estudar o mercado de oferta de emprego.

Portanto, se calhar é a minha vez de perguntar aos meus leitores, como tantas vezes me perguntaram a mim via e-mail, “não me arranjam um trabalhito?”

Agora que saiu a notícia que a Alemanha quer recrutar pessoal especializado português, já estou a imaginar a minha caixa de correio cheia de “pedidos de informação”.
Pessoal: a notícia não é novidade! :) E não diz nada de novo: países como a Alemanha sempre procuraram pessoal especializado, sejam eles alemães, tugas ou até chineses. A questão é que o pessoal alemão é caro e é pouco; aos chineses ninguém os quer ver nem pintados e são precisos na China para concorrerem com países como a Alemanha. Sobra o pessoal dos países do sul da Europa, que tem boa formação (que não fica atrás de nenhuma outra de um país do norte da Europa!) e que está à rasca, sem emprego, e por isso é pessoal barato. Mas qual é a novidade??? Foi preciso verem a notícia escrita no jornal para acordarem para a vida?

Agora, o caminho até ao mercado de trabalho alemão, ou até qualquer outro, faz-se “puxando pela cabeça”. O pessoal aqui é exigente na recepção das candidaturas. Não é como em Portugal que existe sempre alguém que conhece alguém, que pode confirmar com um simples telefonema os dados que escrevem no vosso CV (quando não é por cunha…). Aqui a cunha, chamada Vitamina B, também existe! Mas essa é para os alemães :) Os restantes, como nós, temos de mostrar no papel o que valemos. E sobre essa matéria, neste blogue já existe muita informação. Por isso, façam o trabalho de casa, e por favor, não me entupam a caixa de correio electrónico com pedidos de informação e, principalmente, de trabalho!! :D

P.S.: Estou mesmo a precisar de carregar as baterias… Há por aí alguém com “energia positiva a mais” que me possa transferir um bocadinho? Agradecida.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Carta à Cristina

(Se me mandassem mas era um mails a desejar as melhoras desta gripe que não me quer deixar, isso é que era!!! Mas como sou coração de manteiga, aqui vai mais uma!)

Olá, Cristina!

A força para ir embora, acho que já tens :) Mas que posso eu dizer-te? Se tens acompanhado o meu blogue deves ter percebido que o caminho que eu fiz ainda foi "longo". Já encontraram empresas multinacionais onde se possa concorrer em inglês (para o caso de não falarem em alemão)? Se não se safaram com as empresas multinacionais, já começaram a aprender alemão para mostrarem aqui ao pessoal alemão que realmente vocês querem vir dar o "vosso contributo" a este país (é que essa é e sempre será a questão principal!)?

Se tens acompanhado o meu blogue, deves ter "tropeçado" já com alguns posts com links de recrutamento. Obviamente que não existe "o site mágico" onde "um português arranja emprego de certeza", né? Faz o trabalho de casa, lê o blogue que as respostas que me pedes estão todas lá.

Eu entendo que estejam desesperados por encontrar uma porta de saída. Sei o que isso é, porque antes de vir para aqui também andámos um ano nisso. Podes então somar aos 3 anos de luta para entrar e permanecer no mercado de trabalho alemão, mais 1 de procura de emprego na Noruega, Suécia, Inglaterra, Alemanha (!!!), etc... Um processo de 4 anos não se resume a um site com "contactos de agências de emprego". O teu marido está a ficar doido com as horas na net? Sei bem o que isso é! Procurar emprego chega a ser, a certa altura, um trabalho a tempo inteiro! 10 a 12 horas sentada à secretária na net (e como se está em casa, passa de 12 para 14, muitas vezes!), a estudar como se deve escrever bem um CV, como são as coisas para cada país, estudar as ofertas que existem, etc..

Entendam o blogue que escrevo como "o empurrão" que vocês precisam para "cortar caminho e ir por atalhos" (coisa que eu não tive). Usem a cabeça e estudem estratégias: o que é que querem, porque querem, onde querem, como conseguir naquele país? E isso inclui, claro, até ler um pouco sobre o próprio pais, não só sobre o "quão baixo é o défice alemão e que bons ainda são os ordenados” (já agora, muito longe do que se pensa serem :) ), mas sim sobre qual a mão-de-obra anda a Alemanha à procura, qual o ramo em que existem mais hipóteses, etc.. As coisas não mudam muito em 4 anos, mas mudam. O que as empresas procuravam quando aqui cheguei pode não ser o que procuram neste momento.

Há 4 anos entreguei CV com 3 páginas (a modinha do CV Eures que afinal não serve porque ocupa muito espaço e as empresas não tem pachorra para ler até ao fim), hoje entrego com 2. E, e...!!!

Cristina, como já escrevi, para outros colegas nossos, eu não sei nada de especial que vos vai ajudar a encontrar emprego. Eu sou boa sim :P (e por isso também faço questão em escrever no blogue), a motivar as pessoas a, pelo menos, tentarem a alcançar os seus sonhos, a não desistirem, ao contrário do que acho que nos fazem sentir em Portugal: "tu és uma merda", "tens é muita sorte de ter um emprego", "se quiseres, a porta está aberta", etc.. Somos um povo com uma auto-estima baixíssima! E isso revolta-me, principalmente porque nos faz "emburrecer". Eu? Eu andava "emburrecida", sim, entretida com a "minha má sorte". Mas aprendi a lição, f***-**! E a partir desse dia, nunca mais ninguém me parou :D

Agarra-te à net! Agarra-te aos jornais de negócios! Agarra-te a contactos (como fizeste, e bem, ao contactar-me)! Fala com as pessoas mas sem implicar o tão habitual "Ah e tal, vou escrever à Ana, e perguntar-lhe directamente sobre sites fixes de recrutamento". Já perdi a conta aos mails que recebi com essa pergunta ;)

Sei que não é fácil principalmente se ainda trabalharem 8h (10h?) horas por dia, pois a última coisa que apetece é ir para a net em casa depois de um dia de trabalho. Mas olha, agarra-te a isso com força, transforma a tua / vossa pesquisa num "desafio interessante" e não num "calvário". Não te sei dizer como se faz, mas eu consegui! E se eu consegui tu também consegues!! (Principalmente se vais ficar desempregada e com mais tempo disponível). Partilha essa tarefa com o teu companheiro! Não deixes todo o peso / responsabilidade nele. É um peso demasiado pesado para se carregar sozinho ;) (e evita "pedras no sapato" na vossa relação)

Bjs e boa sorte!

P.S.: Vá... Não leves a mal! Isto é mais um "empurrãozinho" de quem quer ajudar! Mas que infelizmente não tem assim tantos contactos quanto isso :)

P.S.: Nada de desistir! Somos tão ou mais capazes do que os outros povos ;)

Ana

domingo, 7 de novembro de 2010

Carta à Gabriela

Olá, Gabriela!

Primeiro que tudo, deixa-me dizer-te que fiquei muito contente por teres conseguido realizar "o teu sonho" :) Então, já cá estás? Muito bem!

Ora bem, indo directamente ao assunto:

1. Sem saberes alemão, dificilmente terás trabalho na nossa área. A não ser que trabalhes para uma empresa multinacional, onde é possível trabalhar em inglês.

2. O curso de alemão que vais fazer, é o "Integration Kurs"? Quando o fiz, tinha a duração de 6 meses. Agora passou (pelo menos aqui em HH) a 9 meses, pois o pessoal tinha dificuldade em tirar o Zertifikat Deutsch (ZD) em 6 meses. Esse curso pode ser pago pelo estado. Basta candidatares-te a esse pagamento. Tens de te informar no Bundesamt ou então pergunta directamente na tua escola. Sê "espertalhonga" ;) e dedica-te a esta língua tirando o ZD nos 6 meses. Não esperes pelos 9 - estuda em casa e prepara-te para o exame. Fala com o professor e diz-lhe que queres tirar o ZD o mais rapidamente possível.

3. Depois do curso de alemão terás de continuar a aprender, sempre. Tandem é uma boa opção. Terás apenas de encontrar um/uma alemão/alemã que queira aprender português. Aqui é fácil de os encontrar. Procura associações portuguesas, ou associações alemãs que tenham interesse na cultura portuguesa. Foi numa destas (a última) que encontrei alguém para fazer Tandem.

4. Para encontrares emprego, é fazeres como farias se estivesses em Portugal: pesquisar sobre tudo na net. Escreve um bom CV, uma boa carta de apresentação e não esquecer de incluir as cartas de recomendação dos sítios em que trabalhaste (e não só). As cartas de recomendação são importantíssimas aqui (ao contrário do que se passa em Portugal). Ah, e tudo isto, de preferência em alemão :) Precisas de alguém que tenha como língua mãe o alemão, que te escreva estes documentos, nem que seja a pagar. É fundamental! Se preferires, podes contactar uma empresa de recrutamento em que pagues (até existem as que procuram trabalho por ti, também a pagar, claro. Se te arranjarem um emprego como engenheira civil, vais passar a ganhar bem, e será sem dúvida um bom investimento).

5. Deves ter a noção que o tempo, mesmo parecendo que passa depressa (pois estás num ambiente novo, rodeada de coisas novas por descobrir), é algo precioso. Usa-o bem. Planeia as coisas: que tipo de trabalho queres arranjar? Em quanto tempo? Quanto tempo tens para aprender alemão suficiente para arranjares esse trabalho? O que precisas de saber? (embora estejas a dedicar-te ao alemão, podes ir pesquisando na net sobre o mercado de trabalho alemão, etc.). Não percas tempo.

Não é possível dizer-te em quanto tempo ficarás a falar alemão, pois na verdade, o teu alemão nunca vai ser suficiente. E depois depende se és uma pessoa dada para as línguas, ou não. Esta língua tem umas regras meio manhosas. Dá a mesma importância a "escrever" como a "falar". Quando arranjares emprego terás de saber escrever, claro.

Desejo-te toda a sorte do mundo aqui por estas terras. É um país que sabe acolher os estrangeiros. Pelo menos aqui em HH fui muito bem recebida. Os alemães aprenderam muito bem a lição sobre "respeitar todos os povos", a serem tolerantes. Tomara que outros países tivessem esta lição tão bem estudada como eles :) Existem "Amts" para todo o tipo de ajuda ao imigrante. Pede ajuda. Pergunta, contacta com as pessoas, "abre a tua casa" para novos amigos, novos contactos ;) Se há coisa em que somos bons, os portugueses, é a receber as pessoas no nosso lar, e isso é coisa rara pelo norte da Europa. Usa e abusa desta nossa qualidade. Só te trará vantagens :)

Bem, espero ter ajudado, e bom fim-de-semana!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Missão impossível? Nada disso!


Ainda antes de receber a carta de despedimento, já me “cheirava” que a tal crise iria sobrar para mim: o trabalho envolvido no projecto de investigação onde trabalhava não justificava as duas pessoas, eu e a minha colega. Uma de nós, mais cedo ou mais tarde, iria ser dispensada (para além da empresa de construção que estavam a tentar criar, motivo principal para a minha contratação, não ter ido para a frente).

Sobrou para mim.

Desde esse dia (meados do mês de Março) e hoje já foram dispensados uns 20 trabalhadores daquela empresa. Ao que parece, actualmente, aquele open-space que me acolheu lá para os lados de Harburg, mais parece um espaço fantasma (segundo relatos de ex-colegas com quem mantenho contacto).
A verdade é que o trabalho envolvido no tal projecto não era muito. Digamos que foram vários os dias que passei naquele open-space a contar as horas para ir para casa. Sim, sim… Também eu pensei que era o sonho de qualquer um: passar quase 8 horas num local com acesso à Internet e no fim do mês pingar um salário de... Vá, de respeito :)
Acreditem, não é.

Tinha decidido, mesmo antes de receber a “tal carta”, que se a minha situação no trabalho não se alterasse (se continuasse naquela pasmaceira) que iria mesmo pedir a demissão e ir à minha vida. E até já sabia qual era o caminho que quereria abraçar: energias renováveis.

E assim, foi: fui despedida e passado um mês estava a tratar da papelada para fazer, mais uma vez, formação profissional. Decidi pela formação em energia solar e energia eólica.

Meses passaram-se até eu ter em mãos o certificado (da formação) que precisava para colocar no CV e que iria apresentar às empresas aquando da minha candidatura.

“Meses passaram-se”… Escrito assim até parece que foi coisa fácil… Passo a explicar o que se passou durante esse tempo: dois meses de formação na língua alemã :) incluindo apresentações dos projectos desenvolvidos nas aulas; aperfeiçoamento do CV em alemão; aperfeiçoamento da carta de apresentação em alemão; preparação de um flyer com o meu CV (merece um post); preparação de cartões de visita; estudo das empresas no mercado das energias renováveis; candidaturas; espera pelas respostas das empresas às minhas candidaturas; ah! E espera pelo fim do subsídio de desemprego :S
Falemos em números: SEIS meses passaram.

É um processo de aprendizagem, principalmente sobre a nossa pessoa: quem somos? O que procuramos? O que nos faz sentir feliz num trabalho? O que não aceitamos de certeza?
Aprendi que é necessário responder a várias perguntas como estas. Porém, é essencial que sejamos honestos connosco, porque se não acreditarmos no que pensamos saber sobre nós, nenhuma empresa acreditará ao ponto de nos oferecer trabalho. Ou, se acreditar, mais cedo ou mais tarde perceberão que a pessoa que contrataram não é aquela que esteve na entrevista.

Duas entrevistas, duas propostas interessantes de trabalho.
A decisão já foi tomada pela minha parte e começarei em Novembro a dimensionar torres eólicas aqui, em Hamburgo.
Nunca pensei que o processo para arranjar trabalho fosse tão rápido… Mas consegui, mesmo em boa hora já que o subsídio de desemprego acaba este mês!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Carta ao Bernardo

Caro Bernardo,

obrigada pela visita ao blogue "ainda-vou-a-tempo".

Realmente "isto" não anda fácil para arranjar emprego, em qualquer que seja a área. Há muito que não actualizo o blogue decentemente, mas como deve ter percebido enveredei pelo caminho das energias renováveis. Não sei se foi boa aposta ou não, veremos qual será o resultado.

Nunca trabalhei aqui na Alemanha numa construtora nem em qualquer empresa de projectos de edifícios. Trabalhei sim, num projecto de investigação da área da construção, que nada tinha a ver com o que fazia em Portugal (direcção de obra).

O que poderei dizer a quem quer tentar a sorte lá fora?... Sinceramente não sei. Eu própria ando a tentar perceber quais os caminhos que devo percorrer. E não tenho tirado grandes conclusões, mas posso relatar "pequenos factos" que tenho visto por aqui. É um facto que, por aqui, em Hamburgo,

1. Arquitectos, físicos, engenheiros, técnicos especializados, informáticos, etc., alemães, estão desempregados (que dirão os estrangeiros?).

2. A oferta de trabalho, nesta altura, é grande. Setembro, Outubro e até Novembro, são bons meses para procurar emprego por aqui, porque as empresas procuram equipas para projectos que começam no início do ano.

3. A PROCURA é, porém, também enorme: arquitectos, físicos, engenheiros, técnicos especializados, informáticos, etc... Todos com formação superior :) Ou seja, ser-se licenciado é sempre uma vantagem, mas não somos os únicos... Longe disso!

4. Para além de pessoas com diplomas de ensino superior, encontra-se muita gente com formação extra profissional. Ou seja, o patamar de formação dos candidatos é tão elevado, que se torna muito competitivo o mercado de trabalho.

5. Mas, desengane-se quem pense que a experiência profissional especializada é muito melhor e a tábua de salvação: técnicos especializados, informáticos e até gestores de projecto com 10 e 15 anos de experiência, estão desempregados e à rasca para encontrar trabalho...

6. Alemanha continua a ser o "motor" da Europa, mas não tem qualquer problema em fazer "Offshoring".

7. A língua pode ser um entrave para um estrangeiro conseguir um emprego.

A realidade é dura. O único conselho que dou (quem sou eu para dar conselhos...?????) é procurares saber quem tu realmente és, procurares caminhos arrojados, diferentes, inteligentes, enfim, procurar ser melhor que todos os outros. Há de certeza um lugar para ti. E para mim ;) !

Não tenho qualquer contacto com empresas de construção de edifícios. Eu gostava de arranjar contactos a todos os que encontram o meu blogue, mas a verdade é que, como deves calcular, não está fácil... Nem para vocês nem para mim. Mas o importante é não desistir e como te disse, procurar ser... Diferente ;)

Ana

p.s.: aqui procuram exactamente a mesma coisa que em Portugal procuram há 20 anos: "recém-licenciado, com 5 anos de experiência, que domine 4 línguas" :D