quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A cereja no topo "deste Natal". Obrigada!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tudo o que desejaram e mais além!


Nós tínhamos prometido a nós mesmos: Natal, longe da família, nunca mais! Mas a vida prega-nos destas e cá estamos nós, em Hamburgo, em plena época Natalícia.

A revolta inicial não deixou muito espaço para espírito de Natal, decorações, prendinhas, etc.
Porém, aos poucos, lá fui recuperando e já se ouve uma musiquinha de fundo com o refrão "All I want for Christmas is you!" e a "pseudo-árvore" de Natal já está no seu sítio de luzes acesas. À medida que os postalinhos foram chegando (muito obrigados!!) foram colocados ao pé do presépio mexicano que nos acompanha desde os tempos em que o nosso terraço no 10° andar tinha a mais bela vista da cidade de Coimbra. E ontem decidimos: Filhoses de Abóbora (o O. até tem aguardente em casa e tudo!) e Arroz Doce vão estar presentes na mesa embora a mãe Maria esteja a caminho com Bolo Rainha, Sonhos, Queijo da Serra e Queijadas de Tentúgal :D Nada é demais!

2011 foi um ano bom. Muito bom. Com as suas dificuldades, claro. Que seria um ano sem dificuldades, sem desafios? Nada de extraordinário. Assim, posso dizer que foi um ano de realizações e desafios superados. Que venha 2012! Sinto que se 2011 foi bom, 2012 vai ser de arromba! Mas que venha com tudo: alegrias, desafios, conquistas, algumas dificuldades superáveis (para apimentar a coisa), saúde e muita compreensão.

E agora, toca a arrumar e limpar os 47 m2 de apartamento que a mãe Maria está a chegar!

Beijitos a todos e um Feliz Natal! Boas entradas no novo ano e que 2012 vos traga tudo o que desejaram e mais além!


Ana


domingo, 11 de dezembro de 2011

Há coisas do... Caneco!


15 de Novembro de 2007:
- "Ok. Tu tens de trabalhar. E para além disso não temos dinheiro para as viagens. Ficamos cá. Não há-de ser assim tão mau. Não pode ser assim tão difícil passar o Natal cá."

26 de Dezembro de 2007:
- "Nunca mais, ouviste? Nunca mais! Prometes? Prometes?"

10 de Setembro de 2008:
- "Ah! Nunca mais me apanham nessa!"

18 de Agosto de 2009:
- "Ah! Nunca mais me apanharam nessa!"

4 de Julho de 2010:
- "Epá, não se metam nisso...! Nós caímos uma vez nessa palermice e jurámos para nunca mais!"

22 de Novembro de 2011:
- "F * # & do caneco! Nós tínhamos prometido! Nós tínhamos prometido!!!"

sábado, 26 de novembro de 2011

O Capitão


Atarantada no escritório, de um lado para o outro, para recolher a informação de que precisava para a minha tarefa, dou por mim no gabinete do meu colega S. Começo a falar com ele, a fazer-lhe mil e uma perguntas, quando me apercebo de uma cara nova na secretária em frente. Continuei com o interrogatório. Voltei a olhar para a cara nova e decidi apresentar-me: "Ana do departamento de gestão de projecto". "Eu sou o A., o capitão do nosso barco". A princípio não processei a informação e lá voltei ao meu interrogatório.

De repente, como um "clic"! Espera lá... Um capitão de um navio? Enquanto a frase surgia na minha cabeça, olhei para o senhor (que se apercebeu do meu contacto visual) e repeti em voz alta: "O capitão do nosso navio?". E mais... Como se a minha língua não se conseguisse reter, sai-me em voz alta: "Nunca tinha conhecido um capitão de um navio..."


Claro que a reacção do capitão foi... Nada de especial! Cara de parvo a olhar para a engenheira da equipa de gestão do projecto, com cara de menina, de quem foi levada ao circo pela primeira vez. Um capitão de um navio... Daqueles como o Vasco da Gama precisou de ter nas suas rotas marítimas. E quem diz Vasco da Gama diz Bartolomeu Dias, Fernão de Magalhães, e por aí adiante!



Vivi a minha vida toda sabendo que o mar fazia parte da minha identidade como portuguesa, morei a 50 km de um porto durante 28 anos, e a minha reacção quando conheci um capitão de um navio foi... O que foi. Realmente, há qualquer coisa que não encaixa na nossa história. Que corte foi esse, que se fez entre o português e o mar? Quando foi isso? E porque foi isso? 
 Não, o nosso país não é só um jardim plantado à beira-mar. O mar não é uma fronteira para nós! Nunca o foi. Mas porque estagnámos nesse ponto? Onde estão as nossas escolas de engenharia naval? Sei que existem, mas porque se fala tão pouco delas? E onde estão os navios construídos por nós? E falo de navios a sério e não de ferrys recusados pelos Açores. E os capitães portugueses?
Nota: no dia seguinte a minha colega conta-me que temos mais três capitães na nossa equipa, entre eles "aqueles dois senhores a quem eu me fartei de pedir, na semana passada, informações".

domingo, 20 de novembro de 2011

Outros tempos

Não sei como é que muitos ainda não perceberam que o panorama por aqui, na Alemanha, também não está nada famoso e a caminhar para o medonho...
O que eu posso aconselhar aos que me pedem informação sobre trabalho na Alemanha é que tentem outros países / continentes pois as coisas pela Europa já deram o que tinham a dar... 

Ah! E é a terceira empresa alemã onde trabalho e devo dizer que a minha decepção sobre a "organização alemã" não tem sido pequena. Como diria uma senhora amiga minha, "isso foi noutros tempos!".

sábado, 5 de novembro de 2011

Carta ao Jorge

 Como é a vida na Alemanha?

Depende muito da nossa maneira de ser (se somos pessoas abertas a novas culturas), da nossa formação (se temos um diploma de uma formação que é precisa no mercado de trabalho), da nossa capacidade de falar outras línguas (se aprender alemão nos dará algum gozo), da nossa expectativa monetária (se pensamos que em 2 anos estamos a comprar o tal Mercedes), etc..

A vida de imigrante pode não ser fácil se teimarmos em não nos conformarmos que não estamos em casa, mas que é possível viver assim. Longe de casa. Haverá sempre alguma coisa que "não está bem", que não sabemos explicar o que é, e por isso, nos poderá tornar a vida menos agradável num país estrangeiro. Que fazer? Aproveitar o tempo para absorver o que a sociedade onde estamos inseridos tem de melhor. Ponto! Não vale a pena viver a pensar no que funciona mal, no que funciona melhor no nosso país.
O que me empurrou para sair do país foi a vontade de ver "mais", para além da nossa fronteira com Espanha. 

Mas se pudesse, voltava para Portugal. "Se pudesse"... Eu posso, a qualquer momento. É uma questão de escolha. Neste momento consegui o trabalho que sempre sonhei. Ganho bem, tratam-me bem, trabalho num projecto inovador, estou perto do marido e amigos (não tenho de mudar de cidade). Conseguiria isso em Portugal? Não. Compensa estar longe da família e amigos para poder ter este tipo trabalho? Para mim, por enquanto sim. 


Na verdade, hoje em dia, compra-se um bilhete para Portugal a 98€, ida e volta, directo. E é suficiente para matar as saudades, ir umas três vezes a Portugal, por ano? Para mim, não. Mesmo assim, pretendo continuar na Alemanha? Sim. Posso ter crescido a pensar que o futuro era um conjunto de certezas. Isso deu-me a segurança necessária para arriscar (se não funcionar, sempre posso voltar atrás), e principalmente, deu-me equilíbrio emocional para recuperar das rasteiras que a vida me pregou
Porém, o mundo mudou. Aliás, está em constante mudança. O que demorava décadas a mudar numa sociedade, há cem anos, hoje em dia demora uns... Dois anos. A mudança tem sido a tal velocidade que apenas aqueles que se tornam "flexíveis e adaptáveis", se safam. E não foi sempre assim? Posso ter crescido a pensar que o futuro era um conjunto de certezas. Mas hoje eu sei, que essa certeza já não existe e jamais vai voltar a existir. 

Invejo aqueles que podem usufruir da minha terra, no dia-a-dia: o cheiro do café nas ruas, o sol de Inverno, a noite negra repleta de estrelas, o cheiro da flor de laranjeira numa noite de Verão, o orvalho nos campos verdes, as ondas do mar.
Porém, cada emigrante carrega uma história. Uma experiência. Cabe a cada um deixar-se passar pela experiência e tirar as suas próprias conclusões. Pelo menos eu nunca correrei o risco de dizer "se pelo menos eu tivesse tentado ir para outro país..." :)

terça-feira, 25 de outubro de 2011