quarta-feira, 16 de junho de 2010

O despedimento


Criei este blogue para servir aqueles que pensam em emigrar para a Alemanha. Para dar a conhecer um pouco mais como as coisas funcionam tomando como base a minha experiência pessoal. Esse continua a ser o meu objectivo e com este post pretendo falar sobre despedimento :)

Já foi há algum tempo, exactamente três meses, que fui despedida.
A sensação de ter "dar tempo à casa" não era nova para mim. Porém, desta vez, não fui eu que escolhi sair da empresa. O ter de continuar a trabalhar na empresa mesmo depois de ter sido despedida foi o que mais me custou. É uma mistura de quero ver-me livre disto o mais rapidamente possível! com um e não posso pois tenho de aqui ficar mais um mês!.

A crise não está só em Portugal :) nem nos PIGS (continuo a achar que se deveria considerar PIGUKS...). Por aqui as coisas não andam famosas. Desde que saí da empresa já foram "dispensados" mais cinco. Mas, como eu sempre disse, as empresas não podem parar, mesmo em tempo de crise, e haverá sempre quem esteja à procura de pessoal para trabalhar. E falo de empresas que fazem girar a economia mundial :) E é por isso que, mesmo tendo sido despedida em tempo de crise, sei que em breve tornarei a ter emprego.

Foi assim:
1. Tive uma reunião com o meu chefe onde me foi informado de que iria ser dispensada. Tive de assinar nessa mesma reunião um documento em que dizia que eu tinha sido informada. Fui informada com seis semanas de antecedência;
2. A rescisão de contrato / o novo contrato (de 5 semanas) pôde ser lida com calma em casa, antes de eu a assinar. Deu-me a oportunidade de verificar se constava algo com o qual não concordava. Estava tudo OK;
3. Como tinha contrato até 2011, tive direito a uma indemnização, que no meu caso constou aprox. de um salário líquido (este é um valor normal mínimo aplicado hoje em dia);
4. Tive direito a carta de recomendação (aliás, a empresa é obrigada a fornecer essa carta).

Ponto 1. e 3., rescisão de contrato: desengane-se aquele que pensa que a existência de um contrato o protege de uma situação de despedimento. Se não houver trabalho para o trabalhador desempenhar na empresa, a empresa tem mais do que justificada a sua decisão :) Mesmo na Alemanha.

Ponto 4., a Carta: esta ao ser escrita rege-se por uma série de regras que codificam, no próprio texto, o desempenho do trabalhador na empresa. Cada frase significa uma avaliação num aspecto qualquer do trabalho desenvolvido pelo trabalhador. Por exemplo, tem de constar no fim do texto algo como "temos muita pena por perdermos uma trabalhadora como a Ana. Agradecemos à Ana o bom trabalho desenvolvido na nossa empresa, e desejamos-lhe toda a felicidade e êxito tanto na sua vida profissional como particular". Se esta frase não aparecer numa carta de recomendação significa que o trabalhador não é recomendado :) Aqui, p.ex., encontram-se as regras.


p.s.1: Se saíres da empresa, sai de forma a deixar a "porta entreaberta". Nunca se sabe quando te irás cruzar novamente com a empresa que te despediu ou até mesmo com os colegas com quem trabalhaste. Sair "a bem" é meio caminho andado para encontrares um novo trabalho, pois TUDO SE SABE. Não esquecer das redes sociais existentes na internet. Antigamente verificava-se a informação com um telefonema. Hoje em dia vai-se à internet e TUDO se encontra. Para não falar de que a Europa e até mesmo o mundo encolheram de uma maneira assustadora. Ou melhor, hoje em dia (como diria Thomas Friedman) "The world is flat" ;)

p.s.2: É preciso estar de olho aberto e identificar à nossa volta as oportunidades. Elas estão lá para as agarrarmos. Basta nós querermos! ;)

Imagem daqui.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mariza em Hamburgo


Pois é... Mais um concerto visto nesta cidade de uma artista portuguesa de quem eu tanto gosto. Tem uma presença no palco incrível e nem o vento frio cortante que se fazia sentir na Hafen City, onde decorreu o concerto, quebrou a emoção de quem assistia àquele concerto.
Aqui podem ver o casaco da Mariza que fez questão de tirar lá para a última música. Ah! E também conseguem ouvir o ventiiiiinho que fazia.
Mas há que dizer que os músicos também sofreram... Fez-me lembrar um concerto que demos em Borba, numa feira de vinhos, em cima de um palco no exterior. Ai os meus pobres dedos que nesse dia nem os sentia de tanto frio que fazia.

p.s.: em Portugal vi dezenas de bandas estrangeiras à custa da Queima das Fitas, Festival Sudoeste, Rock in Rio, Super Bock Super Rock. Na Alemanha, Hamburgo, encho a barriga de concertos de artistas portugueses, espanhóis e brasileiros.

Foto daqui.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Koh Chang


Tailândia: uma descoberta para mim. O verde que nos rodeava, o sol que nos queimava, os cheiros e os sabores que nos enaltecia, a simpatia que nos abraçava em cada ponto daquela ilha. Uma vontade de não querer sair daquela terra, nunca...
Foram duas semanas para esquecer tudo e todos (desculpem!). De me deixar ser apenas mais uma peça deste extraordinário planeta. De deixar os sentidos mais primários tomar conta de mim.

Conhecemos pessoas com histórias extraordinárias como as de alguns europeus que foram até à Tailândia de férias e que nunca mais quiseram voltar ao seu país. E que assim o fizeram!
Ainda existem locais na Tailândia que nos despertam sentimentos estranhíssimos: de querer ficar e nunca mais voltar! É uma sensação de paz, de tranquilidade, de segurança, de pertença.

Há muito que este paraíso tinha sido descoberto por muita gente (até por nós no século XVI. Sabiam que um dos doces tradicionais tailandeses são os fios-de-ovos portugueses?). Normalmente por gente com dinheiro, e por isso acabávamos sempre por não "sonhar tão longe". Na verdade, não gastámos assim tanto. Valeu bem a pena. A viagem até lá, sim, é de se ficar exausto.

A Ilha do Elefante ficou para sempre no meu coração. Kòrp Kun Ka!

p.s.: Devo dizer que fiquei impressionada com a tolerância daquele povo perante homossexuais, transexuais e prostitutas. Isso, e as lâmpadas de baixo consumo em qualquer quiosque de rua! Não me venham com a história de que Tailândia é terceiro mundo! A ver se viajo mais para fora da Europa, para que os meus horizontes não se deixem afunilar!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Hoje sinto-me assim:


É assim que hoje me sinto!
Fui despedida, sim. Está um tempo que mete dó, sim. Mas fora isso... Nada mais de "menos bom" aconteceu por estas bandas.
A sensação de recomeçar, de ter uma segunda oportunidade, de começar tudo de novo, é simplesmente óptima!

Fui despedida, sim. Está um tempo que mete dó, sim. Mas sou feliz, tá? :D

Imagem daqui.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mais um capítulo...


...que se fecha na minha vida.
Foi um ano bom. Recebi bem, conheci pessoas maravilhosas, aprendi, desenvolvi como pessoa e como profissional.
Agora? Venha o próximo capítulo!

p.s.: este trabalho foi "quase" tudo o que eu tinha "pedido". Será que se eu voltar a "pedir", com muita energia, o próximo trabalho vai ser exactamente o que eu desejar? ;)

Imagem daqui.

quinta-feira, 11 de março de 2010

E assim vai o mundo II


A N. é colombiana. Um amor de "cachopa" como se diz na terra do meu pai.
No outro dia contou-me que tinha um encontro marcado com um rapaz alemão por quem achava que estava a começar a gostar a sério.
Passados uns dias perguntei-lhe como tinha corrido o encontro, ao que ela me respondeu "correu bem!".

Eu: - "Então e já são namorados a sério?"

N.: - "Isso ainda não sei..."

Eu: - "Então, porquê?"

N.: - "Ele ainda não me perguntou!"

Eu: - "Hmm... Olha que eu acho que nem vai perguntar. Isso, por aqui já não se usa."

N.: - "Mas na Colômbia, o rapaz tem de perguntar! Só assim é que realmente a rapariga sabe que são namorados!"

Eu: - "Mas aqui é diferente. Ele não sabe como é na Colômbia! Porque não lhe contas, assim, para lhe dar a dica..."

N.: - "EU?! Ele é que tem de saber! Eu não lhe vou explicar nada... E aliás, se ele não me perguntar, eu continuarei "oficialmente" sem namorado. Poderei fazer o que me der na gana com quem eu quiser, entendes?"

Eu, para os meus botões, "Isto é que está aqui uma açorda..."

Imagem daqui.

Möchten Sie einen Kaffee?


Eu não me posso queixar da empresa para a qual trabalho. Hoje trabalho em casa porque o técnico da máquina de lavar roupa que está estragada ficou de aparecer entre as 10h e as 14h. Ora, este horário "mata" logo qualquer dia de trabalho... Assim, pedi ao meu chefe para trabalhar em casa (bendita internet!). Ao que respondeu que sim. Ok, um problema estaria resolvido: não terei de tirar um dia de férias por causa disto.

Viria o segundo problema: o R. foi até NY a trabalho durante esta semana. O R. é quem costuma lidar com este tipo de situações já que fala bem melhor que eu alemão " 'Tou tramada, agora... Aparece-me aí um técnico alemão, desata a metralhar sobre isto e aquilo da máquina, e eu vou abanar a cabeça para cima e para baixo, assino um papel qualquer onde confirmo que cá esteve, vai-se embora e sei lá eu o que acabei de assinar...".

Chega o senhor. Dirige-se à máquina de lavar roupa. Pergunto se quer um café. Responde-me que sim, que aceita. Pergunta-me se sou portuguesa. E eu, "Sim. Mas como sabe?". "É que eu também sou português!". "Aaahhh!!!...", penso para comigo, "os anjinhos realmente não dormem em serviço!...".

Foi um prazer enorme poder falar com o senhor. Depois do assunto da máquina resolvido, e na companhia de um cafezinho, lá demos "um dedo de conversa". Uma simpatia de pessoa. Disse-me que está para breve o seu regresso a Portugal. Já tem a casinha na aldeia pronta. "A Alemanha já não é o que era", diz-me. "Agora, trabalha-se para ganhar o suficiente para pagar as contas ao fim do mês. E, e..."

Foi mesmo um prazer. Volte sempre, Sr. G.! Pelo menos enquanto por cá andar.